segunda-feira, 11 de junho de 2012

Alvo Branco

Miro 11.06.2012

Na grande vidraça embaçada
uma lágrima escorrega caótica
e derrama sobre o parapeito frio
argumentos dignos do botequim...

A imagem dos campos em geada
esbranquiçada sob qualquer óptica
dispara no meio do peito arrepios
que congelam o desejo em estopim...

A inércia no olhar vira temporada
sem a preciosa procura semiótica
ao não querer saber o que há no fim...

E o inverno de lesões acomodadas
afunda-se em reflexões sobre o vazio:
no alvo branco que habita em mim...

Espera de Antonia

Miro 27.05.2011

De um ninho mãe
vem o desenho do amor
em um carinho quente
em teu quarto eu sonho
imaginando teu rosto
esperando meu lindo bebê...


És para mim fonte viva
mesmo antes de ser
és um sorriso presente...
Um convite a alegria
no meu corpo cansado
renovado em Você!

1867 a 1963 do twitter


 1963
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Sabia o segredo das cartas e dos amigos, tratava todos com igualdade, gostava de cachaça mineira e de uma gelada...para esquentar a amizade!
 
1962
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
um amigo que no bolso do peito respondia com braço forte, uma amizade maior que o seu generoso tamanho, deixou uma boa tristeza a sua morte
 
1961
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o sextante jaz em liberdade no vai-e-vem submarino aprendendo a ser submerso como mistérios e a miséria subjacente de gozos mal resolvidos
 
1960
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
a bússola bóia solitária com hálito acre de desfecho um último golpe desfere antes que os resquícios sejam elos perdidos da cadeia alimentar
 
1959
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
a escotilha semi-aberta embassada pela auto neblina e gosto de nebulosa transforma em cinzas a brasa fria que à deriva não sossega a pressão
 
1958
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o timão roda anti-horário por mãos invisíveis regride ao inverso em memórias amareladas e apegos amarrotados de raciocínios conhecidos
 
1957
12 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
salva-vidas estão a salvo vencidos pela falta de escusas presos ao casco corroído da escuna que singra na vertical em ato de despedida do ar
 
1956
11 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o leme parte em sexto sentido remando em círculos imperfeitos criando falsos impérios territórios tênues fugaz controle de qualquer direção
 
1955
11 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
âncoras sem função criam asas ao imaginário rompendo modelos mágicos pondo fora segredos e roendo as próprias cordas em continentes perdidos
 
1954
11 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
O tombadilho geme seus vazios livre de cores pasteurizadas rangendo em tons pastéis contraindo o porão em meditações e tateando inóspito mar
 
1953
11 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
solitários mastros balançam em marolas inconstantes, buscam algo que conste, sem visitas à vista e além do horizonte só há um céu em solidão
 
1952
11 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
as velas estão amarradas e guardadas no convés perto do que ainda convém e dos restos das rezas derretidas no gelo de julgamentos partidos
 
1951
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
deixo em teus olhos como legado todos os carinhos que ainda não fiz, para meu filho a possibilidade ser feliz mesmo diante de um céu em griz
 
1950
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
ao invés de todas as mulheres em seu internacional dia, prefiro uma noite particular com ela, eternizando-a com carinhos, tesão e poesias...
 
1949
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
enquanto equilibrava-me no balanço de tuas ancas morenas o fiel de minha libra desnudava-se em teus pratos sentimentos em taras pequenas...
 
1948
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
como folha de outono caindo depois de pecado de Adão discuti contigo o que não me prendia na tua religião até perceber que aquilo era paixão
 
1947
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Penso nas mulheres em mim e passo o dia em ritmo de saudades, algumas intensas, outras fugazes e as tranquilas que jamais faremos as pazes?
 
1946
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Ao enrolar-me em ti com minhas cordas vocais em poesia, não percebi que lhe vendia minha voz e tinha como troco o xarope de tua hipocrisia!
 
1945
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Sem olhar, matuto qualquer motivo, seriam pecados antigos, uma atual omissão ou o acaso derramando poesia em pétalas no meu impreciso chão?
 
1944
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Sem tocá-las, em estranha sensação, olho-as com o rubor da vergonha e desvio o mistério das rosas que impediam os trilhos... do meu chão!
 
1943
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Abaixo-me inconsciente querendo entender toda aquela situação, será que tenho alguma culpa nos espinhos capados das rosas alí no chão?
 
1942
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Paro diante das pétalas, intensas como a paixão, causam-me algum prazer e ao mesmo tempo medo, pois parecem meu sangue derramado no chão...
 
1941
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Depois grita com raiva um último palavrão, fecha a janela e sai cantando pneus, deixando um rastro de história no chão...
 
1940
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Um carro passa na contramão, um braço sensual feminino abre a janela e joga um bouquet de rosas, botões vermelhos diante do meu chão...
 
1939
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A parede vermelha dizia que era para ser com fogo o acender da paixão, mas foi suave como a brisa que nutriu nossas brasas até a explosão.
 
1938
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
na cama quatro correntes indicavam até onde poderia ir nossa liberdade, no teto um espelho julgáva-nos sem grandes penas ou curiosidades...
 
1937
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Lembra da lenha jogada na lareira e que estalou em sarcásticas labaredas no ar até que descobrimos que o riso escondia o nosso medo de amar?
 
1936
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
violaste meus impulsos violentos e me deixaste em calma, em meu corpo a raiva tres vezes destilada embranquece e silencia as vozes da alma
 
1935
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
não há mais ar entre nós, só milhares de paredes que transformam os dias em uma muralha da listas, que contém qualquer paixão oportunista...
 
1934
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
injunção de temperamento que tempera minhas juntas com óleo de Lorenzo e arranca lágrimas no caminhar sobre toda tola necessidade viceral...
 
1933
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Por debaixo de um verniz fino como qualquer denúncia jornalística sem informantes, os teus motivos serão lidos no banheiro do restaurante!
 
1932
8 Mar Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
uma esfinge virtual em góticas gotas invade os sites secretos de minha paixão descarregando vícios nos estravagantes ofícios do meu coração
 
1931
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Ainda tenho Você em minhas órbitas, não como uma Lua, mas como lágrimas que embaçam a vista com imagens que me trazem Você em saudades nuas.
 
1930
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Com alguma ternura garimpou no lixo da noite algumas preciosidades raras, como um beijo molhado que se misturou ao gosto de lágrimas caras!
 
1929
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Quando resolveram arrematar as linhas do coração, já era tarde para reciclar os resíduos da paixão e atingir as metas de infiel reprodução!
 
1928
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Quando não dava tempo acontecia no banheiro da pública repartição, era quando combinavam: enquanto um gozava, o outro prestava em atenção!
 
1927
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A garça lançou-se lenta ao ar, antes porém retocou o batom, guardou a calcinha de onça, balançou os cachos molhados de californianos tons...
 
1926
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
O prato executivo esfriava no sujo criado mudo, enquanto o cheiro de amor saciava em cochilos um crocodilo relaxado no úmido pântano peludo!
 
1925
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Amantes sem hora marcada, sem compromissos, como o acaso de encontros delinquentes em móteis de segunda classe com o suor do expediente...
 
1924
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
O peixe apodrecia sob o tapete, nadando no nada que se fazia, feito uma geração espontânea de indesejados cheiros sem endereçada autoria...
 
1923
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Era para ser só um grupo de diferentes estilos confinados em segura ilha, mas as personalidades foram se tornando complementares armadilhas!
 
1922
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A chuva em goteira sobre o teu leito dessarrumado e vazio, deixou uma tatuagem transparente nos lençóis: tão simbólica como o teu suor frio!
 
1921
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
ante o bafo de morte que entrou pelos vãos da janela um sono letárgico deitou nos olhos o peso de terra indevida onde germinou uma nova vida
 
1920
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Na memória fraca teu nome é um luar onde a bruma do tempo vai lentamente se perdendo em brancos... onde a saudade se esconde do querer...
  
1919
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A saudade aperta-me como abraço de criança com medo, escorre nos dedos como mercúrio de termômetro quebrado e deixa um gosto de mal passado!

1918
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Composta a nossa sinfonia, ouviu-se um prólogo no meio e um gran finale que não tinha fim e diante do talvez, tocava um não dentro do sim...
 
1917
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
sei, mas não aceito, estás certa, mas não é só assim, tem sentido, mas não quero, o desejo não é meu, está nos teus olhos, mas não em mim...
 
1916
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
não há mais rotina, a não ser o vazio de nada fazer, enquanto na lona da retina, uma última lágrima ora por uma paixão que não vai acontecer
 
1915
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
espirais... onde eu trans-piro, meu laico conspira e Vós... expirais!
 
1914
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
assim é a vida um círculo de ciclos, onde nada o sempre e o todo jamais... a não ser que juntos se agrupem no infinito ateu das espirais...
 
1913
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
talvez mais doidos e mais coloridos com seus invisíveis cios e ais... ou menos felizes, com ritos e riscos ou outros carpados imortais...
 
1912
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
nos olhos... areias... desejo e incômodo em ambíguos duais... pausa silenciosa, repassados futuros, proscritos e escritos... iguais?
 
1911
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
confetes no chão, máscaras rasgadas no último dos carnavais... pedaços de bolo no tapete da sala, champanhe em cacos de cristais...
 
1910
27 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Fim de ciclos, obtuário criado com Suas Maíúsculas iniciais... lona arriada de circo, marcas de serragem em terras sujas vicinais...

1909
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
sem ferramentas para concertar o próprio peito desalinhado, busco o martelo das palavras para pregar na tela da memória o teu retrato falado
 
1908 
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Cabelos caem! Há papo por debaixo do queixo e não é de arrogância. Varizes em instância de solidão cansam o sangue em insegura pressão...
 
1907
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Hora de enlouquecer! De esquecer a razão, chega de trabalhar enchendo os próprios vazios, é melhor viver a vida... desabotoando o conter...
 
1906
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Pago um imposto indevido por te amar. A taxa da solidão é exorbitante. A cota retirada da lucidez aumenta a cada mês sem opção de sonegação!
 
1905
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Impossível não me ver, desabilitar-me de ti sem porquê. Sou um spam em repetidas mensagens de amor, que viaja o mundo até chegar em Você...
 
1904
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Ela acordou atravessada, seu limite de paciência foi ultrapassado a mais de cem, espero pelo tiro de misericórdia, que por castigo não vem!
 
1903
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Apodrecida a madeira os pés esfarelam-se no chão, posso por a culpa no tempo e seus cupins, isto é tão natural como em solidão fugir de mim!
 
1902
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Escrevo enquanto meus seguidores dormem, assim não provoco pesadelos e não esgrimo com qualquer esperta consciência desperta...
 
1901
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Olho a vida em pedaços, alguns deles sem aparentes ligações, as partes me trouxeram até aqui e com dificuldades, as integro no todo do Eu.
 
1900
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
nem mais um segundo para pensar, escrever sem consciência mensagens que jamais serão lidas, deixando-as tatuar no écran as letras do vazio
 
1899
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
destilar a própria bilis com o calor das palavras mais rudes é um processo de agressão literária que só traz conforto se for vomitada a dor
 
1898
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
um carnaval sem fantasias, cheio de confetes de chumbo na boca, as mãos atadas por serpentinas enferrujadas, que calam os calos dos meus pés
 
1897
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o choro era de febre, leves gemidos acompanhados de soluços perdiam-se no sucessivo das tosses, sem remédios, como o lento de última agonia.
 
1896
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
poético e apocalíptico, optei por elípticas voltas ao redor da cripta, até captar o eclipse de concepções inócuas e a mim mesmo oblíquas!?
 
1895
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o veio de ouro ficava menor a cada dia, o trabalho endurecia a medida que o profundo chegava, minerado o eu... a dor reluzia de escuridão...
 
1894
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
velho em solidão, caquético em monólogo de histórias que já nem sei se são mesmo minhas, cubro-me das penas do mundo através dos telejornais
 
1893
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
há dias que não estou bem, nada faz sentido, não quero estar certo, desejo só a noite e quero insistir em morrer de tanto em mim existir...
 
1892
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
hoje estou antes de qualquer princípio e ao mesmo tempo além de qualquer fim, único como os não criados, dissolvido na solidão dos deuses!
 
1891
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
caminho sem pernas, vôo sem asas, nado na escuridão cego de luz, paralelo e ausente de qualquer humanidade...
 
1890
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o destino traçado com régua e compasso não requer mais nada: nem sentimentos, nem intuição ou uma mínima intenção...
 
1889
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
a razão purificada se anula no comando de todos os controles e a lógica se faz cúbica e exata como um maktub
 
1888
18 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A manhã desprevinida pega-me em solidão dos deuses, sem humanos pecados para errar e sem direitos básicos para enlouquecer...
 
1887
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o aviso veio sob a forma de lágrimas soltas, sem nenhuma palavra, depois as malas foram arrumadas as pressas para uma viagem sem voltas...
 
1886
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
teu cheiro está no meu nariz de cachorro, que reconhece o todo de tuas partes, que sente de longe teu cio nas entrelinhas de tuas artes...
 
1885
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
no fundo da taça de vinho uma mancha rubra como um sangue coagulado criou um desenho de uma bruxa voando no resto de nosso cristal quebrado
 
1884
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
o choro era o sinal de que o jogo estava no final, os olhos vermelhos ralavam ódio logo após o perdão ser sepultado em nosso silêncio mortal
 
1883
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
tenho um desejo louco de te colocar nua na pedra da mesa da sala e em banquete japonês experimentar com a lingua as dobras de teus sashimis
 
1882
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
liberado o desejo, veio a angústia da escolha de permanecermos unidos, depois o cansaço que tomou conta dos olhos em sonhos sem sentidos...
 
1881
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
O teu corpo na memória da pele desenha falsas tatuagens com carinhos doloridos, dando a ela um colorido artificial de algo mal resolvido...
 
1880
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Ouço tua voz sussurrar nos ouvidos palavras de raiva submissa, com uma ternura digna de meigos carrascos em oração penitente de negra missa.
 
1879
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Entre uma gota de suor e a lágrima, um vale de solidão esconde a sombra da fantasia que se desmancha no colo de um amor que virou amizade...
 
1878
15 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Era para ser breve, tornou-se sempre, era para ser pouco, acabou cheio, era para ser único, virou plural, era para ser fim e parou no meio.
 
1877
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A dor negritada em acessos a sites sem lar, enquanto minha morte silenciosa é um spam agonizante no vazio de tua caixa de lixo hospitalar...

1876
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
prefiro escolher no escuro, como um morcego surdo e de asas cansadas, onde o tato não mais funciona, sem a luz de tua arrogante sedução...
 
1875
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Só e em silêncio, em liberdade cadente: grilos, tribos, brilhos, gritos, atritos, britas. Ácidos óbvios concretos no vácuo certo dos agoras!
 
1874
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Já não sou Você no vazio que não agita! Sem teu dinheiro, verdades ou a tua inteligência! Desenvolvo alguma luz além da tua inconsciência...
 
1873
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Um hálito simples crias ar e envolve: necessário a vida e a morte, novo em verdades e mentiras, na medida... para não parar de te respirar!
 
1872
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Arranco minhas falsas unhas e sem tuas armadilhas letais bebo o veneno de novas luzes com sede de invernos boreais! http://migre.me/7LcBY
 
1871
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A poeira incomoda meus olhos que sem caminho para chorar desertifica a sagrada Aorta...http://migre.me/7Lc0b
 
1870
1 Feb Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
A cerca elétrica dos teus apreços ligada em 220 Volts foi cuidadosamente instalada ao redor de minhas vontades...http://migre.me/7LbIc
 
1869
20 Jan Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
O fácil do tédio é o não fazer nada, o difícil é que só tem um remédio e a cura depende de deixar de crer que sem ele, a vida é mais dura...

1868  
20 Jan Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Quando o raro acontece a vida tece felicidade, dança sem agulhas no fio de infiel liberdade e no pano da vingança cria inesperados bordados!

1867  
20 Jan Miro Pedroso ‏@MIkROPoesias
Fácil o caminho do toco em teu silencioso não! Tropeço em tua surdez seletiva sem fim e mesmo no chão, crio caminhos para chegar no teu sim!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Maçaroca

19.05.2011

Onde foi que eu perdi
o nylon de tua meada?
Como esta maçaroca
foi acontecer de partida?

De onde veio esta trama
que embaralha os olhos
e hipnotiza a vontade
em congelada inanição?

Sobre a linha do tempo
o equilíbrio inexato pensa
tuas dores mal escondidas…

Sem sombrinha e sapatilhas
sem breu nas suadas mãos
pulo no ar sem ter chão!

1721 a 1866 do twitter

1866 qualquer remédio, faca ou laser que lhe atravessasse o peito em ferida de morte e lhe fizesse esquecer a dor... de sua paixão incontida...
  
1865 depois de fartar-se ficou só a deriva entre águas vivas e lembranças mortas a espera de sinais que lhe dessem juizo...
  
1864 o sonho brigou com o tempo deixou espaço para a tristeza saiu feito louco sem ter destino e no primeiro cais aportou sem medo
  
1863 Suas lágrimas entrecortadas de risos fartos criaram em mim ambíguos segredos, que me fizeram refém de suas alegrias, tristezas e medos...
  
1862 Enquanto os farois dos carros tornavam transparente teu vestido vermelho, meus olhos se embriagavam com tuas sombras refletidas no espelho.
  
1861 Vê-la por breves instantes, como imagens rápidas em estação onde não para o meu metrô, foi gostoso e fugaz como um presente de futuro retrô!
  
1860 deitei meu amor em tua cama de gato em noite de Lua, depois, enquanto compunha, sonhei que dormias nua... em um sofá da cor de tuas unhas...
  
1859 Era para ser de luz e para sempre, pulsação do Criador, mas foi se dissolvendo feito estrelas em decadência até se tornar um ponto sem cor.
  
1858 no coração um pequeno estilete gelado em dor fina como borbulhas do champanhe no sutiã em taça da mulher amada em movimentos descuidados...
  
1857 Havia menos vestido do que sentido, mais loucura do que paixão, mesmo assim o vermelho tomou conta dos olhos em ataque de tesuda solidão...
  
1856 Transparente como um crânio de cristal, sem mistérios ou combinações, deixou aparecer entre as pernas as penas negras de seu ventre sensual!
  
1855 Havia nela um gosto de perdição, uma perversidade no olhar, jamais saberei se era dela ou se era ela só a tela de alguma louca projeção!
  
1854 Deixe teu urbano ventre em minhas fontes cristalinas, em teu peito, o ar puro de minhas montanhas, depois solte em mim tuas taras estranhas!
  
1853 Era eu teu par e de um modo ímpar tu me criavas em radical infinito. E mesmo diante do nada, dizias que nosso zero era sempre o mais bonito!
  
1852 Com um sopro nas mãos vem a saudade em riscos de lápis de cor, um quadro de signos, onde a fartura e a força tem o tamanho do nosso amor!
  
1851 mesmo que não seja a hora aninha teu corpo no meu e deixa o silêncio nos levar até onde não existe distância e o amor seja sempre o agora
  
1850 teu silêncio trina fios agudos em meus ouvidos cria uma sensação onde o nada vai tomando conta e o ar fica rarefeito em qualquer sentido
  
1849 Enquanto tu pensas em mil coisas, eu deixo minha mente vazia, para que nela entres e recolha a calma que precisas para compor tua vigília.
  
1848 Queria apimentar a conversa entre as amigas, mas o tema ficou tão picante, que ela sem querer quebrou o silêncio dos segredos asfixiantes...
  
1847 A noite apertou-me a garganta em nó de saudade, quis teu nome gritar, te cobrir de emails e mensagens, mas fui dormir, para contigo sonhar!
  
1846 Voltou do norte sem propósitos: não mais aquela aliança com o errado, nem mais um minuto com o mesmo alguém, só as curvas do inesperado!
  
1845 Agora que te vestes de negro em luto por tudo que não fomos, corro atrás do nosso enterro, preso entre a vida e a morte do que ainda somos!
  
1844 Havia o que pagar e pegar: no azul do bar ela se despia e entre aplausos e reboliços, piscava para mim seu olho em eterno falso compromisso!
  
1843 alguma coisa me diz que teu tempo não é de graça e por mais que sem jaça, o caminho será de giz...
  
1843 Espero e quero tua entrega, teu torto absorto, molhado em refrega, de olhos em molhos crus, nus revirados de anzóis e lençóis em Las Vegas!
  
1842 Amor raro e incomum, começou na aula de yoga, os dois fugindo das drogas e prontos no cantinho do pum...
  
1841 Câmara fria vento ferido nórdico catre de seixos vadios. Olhar perdido gosto gelado ácido Rio paixão a três rinha de crias ritmo ousado.
  
1840 Posso ser teu vampiro diurno as avessas, dando-lhe o sangue que não obtivestes sem mim ou ser uma esponja seca para tuas lágrimas sem fim...
  
1839 Ela me disse que tinha um gênio forte, depois descobri seus medos, tinha um lado brilhante de alto QI e um outro, sombra, cheio de segredos!
  
1838 Hidroavião posei em teu cupcake, uma abelha em busca de doces para fazer algum mel, mas de tão úmido, enredei as hélices no teu carretel...
  
1837 um inútil ex-marido que esquece de pagar as velhas contas é tão bom quanto um novo amor que não sabe o que fazer para te deixar pronta...
  
1836 Com um escafandro obsoleto mergulhei em tua banheira, fiz espuma em tua champanhe, escarafunchei limites até achar tuas ínfimas besteiras...
  
1835 Tenho amores que me são bons, outros me atormentam, de uns tenho saudades, de outros longe eu agüento, são prismas dos meus sentimentos ...
  
1834 O melhor remédio que conheço é: não ter medo, não ser cínico e não julgar, sem preconceitos, sem expectativas e cobranças simplesmente amar!
  
1832 Sem fios de cabelos para tecer a minha trama ao redor do teu destino, costurei com linhas de pescas e anzóis uma colcha com meus desatinos.
  
1831 Tua adega do diabo me foi aberta por desatenção, nela eu entrei como sentenciado de porão de navio, louco e sem mastro para rasgar teu cio!
  
1830 Respingos vermelhos ao lado da taça de vinho compunham um último gole por Você: um Shiraz 2007, que exalou em meu ar complexos buquês...
  
1829 Criastes uma parede de tijolos a vista, uma barreira entre eu e Você, rebelde pelo tom calculista, pichei teu muro com rimas em degradê...
  
1828 O carro mil novo com cheiro de plástico, pura brasilidade! O banco em couro e no painel um "toca-fitas" para lembrar a trincheira idade...
  
1827 A via cheia de regras, controles nas entradas e saídas, blitz no portal do afeto: só uma tequila para derrubar os limites do teu discreto...
  
1826 Lá fora um tempo nada a ver, dentro uma dívida tudo a haver, no peito uma saudade sem limites e nos olhos a trave cruz do ouse ou hesite...
  
1825 Sem a energia solar de tua presença, corro por um mar de estrelas colhendo qualquer brilho que vejo, em uma dança de insaciáveis desejos!
  
1824 Cravo os dentes em teu otimismo público gratuito, destilo nele meus recalques, são sessões vazias onde terapeuta e paciente são desfalques.
  
1823 Morte aos filhos do ditador! Nasce o bebê francês na crise que incomoda! Roma mistura política e religião com sexo. Não ter nexo virou moda?
  
1812 O leve do teu jardim em gotas delicadas de orvalho na ponta dos dedos, livre loucura presa nas pétalas de um labirinto de febres e medos...
  
1811 Lembra-se quando te dei aquele pote de Victoria's Secret Vanilla? Quiz cobrir teu corpo com o mesmo cheiro que em minha imaginação desfilas!
  
1810 No escuro do quarto tua imagem nua vem, dança no meio das cobertas frias, esquenta meu ventre e toma conta de minhas noturnas fantasias...
  
1809 Tenho saudades de ti e raiva de mim, com uma pitada de ciúmes pelo teu afastamento voluntário em busca de equilíbrio em outras rimas afins.
  
1808 A brasa da lenha entre sombras nuas, duas taças de vinho em labaredas, o fogo homossensual é alimentado em outdoors, sites e outras veredas.
  
1807 Enquanto a dissolução do sexo entra pela porta dos fundos, um anjo sexy no portão de entrada ensina o que é não ter sexo neste novo mundo...
  
1806 Oilman, azeiteman and banhaman: um trio passeia de sunga e bicicleta pela cidade e seus postais, com suas gorduras poliinsaturadas surreais.
  
1805 Quando cheguei ao sétimo drink Viking, feito com álcool de raízes fortes, dancei com a garçonete loira num paraíso de lâminas sem cortes...
  
1804 Lágrimas emoldurando teu sorriso terno, ao redor dos lábios uma espécie de orvalho preso em minúsculos pelos, deu ao beijo um gosto eterno!
  
1803 O olhar perdido nas grandes vidraças da Vieira Souto em Ipanema refletiam na pupila vermelha um destino improvável de roteiro de cinema...
  
1802 Abracei o Cristo com os olhos em lágrimas através da escotilha do avião, pareceu-me tão acolhedor, fêz meus medos transformarem-se em amor!
  
1801 A restinga comprida vista do avião dava a impressão de que o Rio de Janeiro não tinha fim, uma simbólica imagem da saudade dentro de mim...
  
1800 Entre uma rima e outra, o poeta ficou sem saber o que faria, publicar seu verso em homenagem ao seu dia ou anônimo postar sua micropoesia...
  
1799 Como Cirque du Soleil não uso animais para decompor meu espetáculo, busco qualquer super habilidade humana para fugir dos teus tentáculos...
  
1798 Ao ver o tigre tremer entre o chicote e o arco de fogo, percebi que comigo fazias o mesmo jogo, em mensagens dúbias de um monólogo demagogo!
  
1797 Na cartola do mágico cheia de fungos, piolhos e ácaros, dormia minha paixão, babando no velho cetim um gosto ao mesmo tempo azedo e sácaro.
  
1796 Teus gatos amestrados estragaram tuas fantasias antes do espetáculo começar, quase ri de tuas lágrimas de desespero pedindo-me para ajudar!
  
1795 Eu caindo das pernas de pau e Você rindo no camarote, como se quebrar minha cara fosse o prêmio por ousar te amar como um circense mascote!
  
1794 As responsabilidades eram pratos girando no ar sob a batuta de um palhaço no purgatório incapaz de segurar a calça larga sem suspensórios...
  
1793 Ao respeitável público ausente uma salva de vaias de respeito ao silêncio mórbido que da arquibancada cria fantasmas no picadeiro do peito!
  
1792 Tirada a focinheira do urso a colocaram como mordaça em meu coração furioso, que de tão louco mordia o mastro do circo em ciúme desgostoso!
  
1791 A pata do elefante sobre o meu peito voluntário parecia querer chegar na serragem às costas, era a mesma sensação que paixão sem resposta...
  
1790 O remendo na lona misturava listras brancas e azuis, teus olhos distantes e desbotados no canto do espelho, inspirou-me a maquiagem em cruz!
  
1789 Enquanto eu vendia pipoca para teu público infiel, Você se atirava no trapézio sem rede para mãos que te balançaram entre o inferno e o céu!
  
1788 A corda bamba enferrujada e mal esticada era o espaço iluminado entre Você e eu. A sombrinha de pano sujo: o apoio que o destino nos deu!
  
1787 Palhaça roubastes em pleno picadeiro lotado o meu coração, a platéia rindo do meu destino pedia aos gritos para lançá-lo ao faminto leão...
  
1786 Fui tratado como leão velho de circo do interior só osso e carne de segunda, até conhecer a partner do mágico com sua meia rasgada na bunda!
  
1785 Sem fazer nada a pressão arterial cai como menina moça diante de fantasmas da puberdade: é o medo de perder esta total irresponsabilidade?!
  
1784 Cerveja é do tempo do Rei Escorpião, um egípcio pré-dinástico! Em sua tumba vestígios dela foram encontrados ao lado do dono embebalsamado!
  
1783 Vivia bem mesmo natimorto, pois era mais existencialista que um prego enferrujado pregado na parede de um puteiro à beira do cais do porto!
  
1782 Expectativa de morte não lhe soa bem? Ela é natural, por que antecipá-la ou por ela ficar ansioso, se o agora é o tudo da vida que se tem?
  
1781 Acordou assustado por um barulho na madrugada, um casal perfeito no guarda-roupas: sua Realdoll e o consolo esquecido pela última namorada!
  
1780 A carteira tinha algo de errado: sem assinatura, a foto 3x4 e o polegar, pelo jeito só depois de deixar o sindicato é que foi alfabetizado?
  
1779 Num beco sem saída, encurralada por medos fantasmas e ciúmes cachorros, enviou sinais de fumaças em mensagens indiretas pedindo socorro...
  
1778 Só faltava esta: ciúme artificial! Um ícone da namorada na tela do celular, cada vez que passa uma gostosa ele apita e impede Você de olhar!
  
1777 Lugar comum: um caminhar ao redor do próprio rabo, círculo vicioso em claustrofobia fechada, um tudo que afoga o que ainda não deu em nada!
  
1776 Um shortinho em 60 centímetros de coxas a mostra no restaurante, a namorada na mesa tranquila e ela sendo comida por todos os olhos da fila.
  
1775 Gosto de teus olhos, são pólos de emoção, por vezes tristes, outras só excitação, num jogo de adivinha como estou e nunca saiba como eu sou!
  
1774 O livro foi aberto ao acaso, a frase coincidente com a situação acalmou-a, não era de auto ajuda, ao reverso... era um miniconto perverso.
  
1773 sinto teus inconscientes chamados como ecos em minha consciência, sei que está difícil superar teus picos e vales sem a minha resiliência...
  
1772 como pluma levada pelo vento, a paz zarpou de meu porto coração, deixou atracado nas pedras do cais um olhar distante, saudoso e incapaz...
  
1771 A lenha requisitada pelos teus carinhos me fez sair da noite fria em direção ao teu distante, mas quente tesão!
  
1770 Ela dorme em minhas pernas como se dela eu fosse um ninho, serena sorri em sonhos e eu a vejo feliz no aconchego dos meus breves carinhos...
  
1769 uma sombra no canto dos meus olhos lembra a escuridão que guardo no coração sob a forma de um espectro que me assombra sob a forma de paixão
  
1768 Uma igreja no twitter: só pequenos desencapetamentos, em vez de dízimos... milésimos, ao invés de uma catedral bela... uma timeline capela!
  
1767 O Orgulho casou com a Preguiça para criar um novo pecado capital. Esta não lhe deu atenção. Irado buscou a Luxúria: assim nasceu a Traição!
  
1766 Assustou-me sussurrando em voz fina! Uma mulher menina? Nitrogênio da boca? Depois beijou-me como louca até me deixar exausto, sem oxigênio!
  
1765 Era para recordar os velhos tempos, algumas doses depois, com a saudade já esquecida, brigaram como cão e gato pela convivência perdida...
  
1764 Na adega desligada jaziam garrafas de raros Cabernets, taças quebradas na última discussão emolduravam pedaços de fotos rasgadas no chão...
  
1763 Que patrocínio te dar? Só tenho no olhar um ar de poeta underground e nas costas uma mochila de incertezas de quem está aprendendo a amar!
  
1762 Como relâmpagos na escura balada, seu digital atualiza no Facebook seu novo perfil, chegou perto, pediu-me a Smirnoff Ice e depois sumiu...
  
1761 Cheia de escoriações, tatuagens e cicatrizes: uma delas era de uma cesariana antiga, dando-lhe um ar maternal que sublinhava seus deslizes.
  
1760 Grávido de ciúme espetei com raiva a barriga de minha obsessão, depois abortei meu amor inseguro no esgoto por de traz do teu pichado muro.
  
1759 Já quiz a gota de Chanell 5 que cobria Norma Jeane, depois ser um Pitt stop da Angelina, agora quero o manequim vivo de qualquer vitrine...
  
1758 Gostava de ser exata, perfeita, um círculo sem fim, cheia de princípios, sem erros ou escuras esquinas, a não ser... o de se achar divina...
  
1757 Foi censurado por que cheirava calcinhas no jardim, por que não as flores? Eram artificiais, exógenos espécimes, longe demais de suas dores.
  
1756 Rosnar contra teus amados, gritar em silêncio, rezar pelo sétimo do teu dia e mesmo assim lamber a sola da nostalgia em segredo de estado...
  
1755 Quando corais do teu mel cristalizaram-se em minha boca, bebi tuas marés loucas em goles quânticos até me tornar um náufrago transatlântico!
  
1754 Não resista ao amor, toque-o em paz como um rock&roll e se bater o ciúme cubra-se com ele, não haverá frio por debaixo deste sexy babydoll!
  
1753 Todo dia é dia de aprender e desaprender, ser de novo um novo ser, aprender a conviver e se desprender, nada se ensina, só se aprende a ser!
  
1752 Reencontrar Você foi ficar em equilíbrio de um pé sobre uma garrafa de vinho francês, enquanto na taça lágrimas secam em Bordeaux degradê...
  
1751 Quando um amor não serve mais aos propósitos imediatos e é descartado como um lixo que não é lixo, algo de podre na dispensa ficou estocado.
  
1750 Caçar o sutil do agora com armas de pegar borboletas no underground em LSD é navegar sem agulha nos sulcos de um vinil que não toca em Você!
  
1749 No silêncio de minha solidão em hipoteca, gritarei uma verdade miúda, somando dores carecas com o que subtrai de tuas mentiras cabeludas...
  
1748 Deve existir algum hormônio que o cérebro produz quando crio algo, é um prazer diferente, que mesmo em abstinência, incontinente cavalgo...
  
1747 Descobri que as rimas são uma espécie de ópio em minha afetiva consciência, quando a terminação não combina entro em crise de abstinência...
  
1746 Queria ir neste show, ouvir de perto os dedos ágeis da Gibson em nossa canção, mas cleptomaníaco, deixo de lá estar para roubar tua atenção.
  
1745 Compulsão vinda de escuras e internas esquinas, tua imagem dança nos meus dedos, que recolhem, em segredo, gotas de deliberadas endorfinas.
  
1744 Não acredito mais em tuas verdades, elas são facas que cortam o que jamais desejei perceber em tiras e por isto escolho as tuas mentiras...
  
1743 Quero te acordar deste letárgico tempo de esquecimentos e cobrar as promessas que Você me fez, mesmo antes de qualquer um de nós renascer!
  
1742 A neguinha tinha alguns parafusos a menos nos quadris, chegava de mansinho na minha frente e de costas rebolava, queimando o meu infeliz...
  
1741 Bom sujeito não sou; sou ruim da cabeça e sou doente dos pés, mas vou contigo pro samba, quero teu corpo gingando e teu olhar de viés...
  
1740 o gole de cachaça desceu ardendo na garganta cansada de aula, depois aconchegou-se no estômago como um ninho em fogo atiçando novas idéias
  
1739 O cerne era uma cabeça de cavalo esculpida pelas águas de um rio da Serra do Mar, deixou-o como vigia de seu depilado jardim particular...
  
1738 Guardava-se em geladeira esperando ele chegar, numa noite quente a vontade era tanta que derreteu ao imaginá-lo na mantegueira a sua frente!
  
1737 ele apresentou suas metáforas banhadas em ouro, ela mostrou seus seios grandes como um novo deleite e assim partilharam seus falsos tesouros
  
1736 Foi embora para Rosário, deixou emprego, escola e alguns amores que cultivava em espaços diferentes, cada qual com seu ritmo e coreografia.
  
1735 uma suçuarana velha empalhada com algodão barato e já desbotada pelo tempo provocava arrepios no corredor da pensão na margem direita do rio
  
1734 O lugar se chamava 43, o mesmo nome do licor, suave tentação espanhola na tez, anos de miscigenação numa mini-saia paraguaia cheia de amor!
  
1733 Salame caipira vendido em metro. Devia ser guardado em lugar seco para aprumar o gosto. Deixou-o como escultura pop na vitrine do sexshop...
  
1732 o torresmo artificial comprado na beira da estrada caiu no estômago do pescador mineiro como uma lembrança mal digerida da primeira namorada
  
1731 dedos trêmulos tocam tua nua realidade, a pupila vermelha já não vê se teus seios estão arrepiados, no colo hibernam algumas velhas vontades
  
1730 A veia aberta de tanto procurar destinos deixou cair uma lágrima vermelha antes da agulha entrar, depois em contração de dor fugiu do altar!
  
1729 Apaixonei-me pela pessoa certa num tempo errado, depois pela errada no momento certo, só tive alegria quando errante fui incesto de Maria...
  
1728 Escolher entre só ter Você em fantasia ou dormir ao lado de quem me detesta, prefiro fugir na noite através de qualquer fresta...da alegria!
  
1727 Encorpada, voluptuosa, feito Bordeaux hibernado num decanter de cristal, pousou quase nua sobre a mesa de vidro num vestido rubro, sensual!
  
1726 Da poltrona vermelha nasciam mensagens lâminas de guilhotinas, que deixavam órfãs cabeças que se diziam inteligentes, contando a sua rotina!
  
1725 O colchão vira saco de pancadas, desconto a raiva pelo feriado que termina do jeito que começou: uma solidão neblina cobrindo a madrugada...
  
1724 Havia escrita no Egito antes dos faraós, tempos do Rei Escorpião. Que mal gosto: não era para poesias, só indicava de onde vinha o imposto!
  
1723 O velho calção puído pela parafina da prancha ficou jogado em cima da havaiana, enquanto o cigarro de origem duvidosa queimava a porcelana!
  
1722 Tenho uma amiga que tem um gato preto e outro branco, são como aqueles medidores de chuva bipolar, quando agrada só um, não dá para chegar.
  
1721 
Ela chegou da Bahia dizendo que agora ela era só para uns...depois da primeira geada em Curitiba, aninhou-se com o mais mortal dos comuns...

Menina Má

Miro 19.05.2012


Eu sou só a menina má
que cria os piores sustos.
Sou eu quem saio de casa
dando-me a qualquer um.


Sou eu quem regateia já
liberdade a qualquer custo.
Sou eu quem abro as asas
prá gozar o todo de algum.


Eu sou a fração alternativa
acusada de querer algo mais
madrugadas e noites a fio.


Sou eu perversidade à deriva
no tesão de roletas carnais:
tua cadela... fugindo no cio!

Ouro Inesperado

Miro 19.05.2012

Estamos nus diante
de um ouro inesperado
e nossas antigas roupas
não nos cobrem mais…

As máscaras já não tapam
nossas caras de surpresas
e nem mesmo o baton
disfarçará nossos medos…

Estamos nus e distantes
do novo independente
que se fez em liberdade…

Colocando-nos ante a luz
de um espelho que nos cega
no velho da consciência...