sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Rebelião

Miro 17.01.1997

Encontrei-te assim
sexy e linda,
mas com raiva do mundo,
com medo dos homens,
algemada às próprias decepções,
criando um cárcere,
onde sumariamente condenavas
todos que perto de ti chegavam
com boas ou más intenções,
jogando-os impiedosamente
às celas mais geladas
do teu coração
onde o tempo com certeza
tudo matava!

Assim fizeste comigo,
atirando-me a uma solitária escura,
sem coberta, sem alimentos,
sem luz e quase sem ar...
Mas aos poucos
fui me refazendo
reconstruindo sentimentos
cultivando a calma
desenvolvendo os porquês
preparando lentamente
minha fuga
de Você!

Dia após dia,
estudei tuas brechas,
observei tuas sentinelas e rondas,
fui servil e subserviente,
até me tornei amigo
dos teus cães de guarda...

Tanto assim que neste instante,
que me ponho livre
inteiramente fora
de tua tirania e domínio,
posso te deixar esta carta,
que além de minha alforria,
são tuas algemas sentimentais,
porque hoje sei,
que estás completamente presa,
por este sentimento puro,
que em vão condenaste
a uma clausura sem sentido
e que te incomoda muito o coração
queimando-te toda por dentro
feito uma grande rebelião!

133 a 172 Mikropoesias no Twitter

172 Hora da manguaça: de filtrar num cuité de cachaça... a jaça de toda filosofia de bar, que tem seu preço, mas que no fundo é de graça!

171 Acordo cansado, a pele e o lençol... amassados! Os olhos frágeis ante a luz do abajur... os ouvidos surdos para o teu inesperado: -Bonjour?

170 Há vida latente nesta paixão recolhida, como uma semente ainda adormecida, sem mágoas, a espera de tua exata estação, de teus húmus e águas.

169 Paz é ser capaz de suspender julgamentos, crenças e preconceitos para sentir o outro em seus sentimentos, em sua dança, no seu único jeito!

168 De tão egoísta rodava ao redor de si como um pião, escrevendo no congelado chão de suas emoções um grande e inexpressivo EU!

167 Descobri que mecânico tem pé rachado e rabo, pois meu carro não ficou pronto e na parede estava escrito: "Mente vazia é oficina do diabo"!

166 Em noite de Bruxaria, há quem reze... mas o rabo da porca entorta e aí vassoura que se preze, não vai ficar atrás da porta!

165 Nanopoesia 8: Teus seios, receio, não são mais... meu recreio!

164 Nanopoesia 7: respeito teus pleitos...

163 Frustrado na noite, grito dentro do carro palavras de tensa ira: quero mudar a vida, apagar o peito com cigarro e fugir desta louca corrida!

162 Há em mim algo de bobo além de lobo. Em ti há mais espelho em tua Alice, do que alguma perdida inocência por debaixo do teu chapéu vermelho!

161 De volta para o amanhã, caminho em frente de costas, com pés de curupira e olhar sem medo do que de ontem ainda não pode acontecer...

160 Cultura de Almanaque: via de regra o risco do Plano OB é perder a linha e sumir absorvente dentro de Você...

159 Epidemia: em minha língua Tami-flui quase sem sentido... enquanto o meu sangue em febre... ferve pela "influenza" de seus endêmicos gemidos!

158 Minha pele te inventa na memória dos poros! Fiquei com teu cheiro impregnado nas ventas! Em cada lembrança te devoro, como se fosse pimenta!

157 Nossos olhos cruzaram-se em slackline: uma corda bamba entre nós foi criada, mas logo uma grota gelada fez da escalada um perigoso highline!

156 Quando escrevo gosto de caneta tinteiro e caderno: é a lembrança de um tempo terno onde o poema desvirginava tuas folhas e saía por inteiro.

155 Tudo era vermelho: a paixão, o Red Label, teu vestido, meus olhos em cruz e a luz no espelho!

154 Um vestido vermelho curto balonê, a cascata loira enquadrando teu sorriso em Mel, meus dedos leves em Você: uma ponte inesperada para o céu?

153 Por acaso ela leu meu caso fora de casa, agora não sei se descaso e caso com o caso ou se ocasiono o ocaso do caso e fico casado e sem asas.

152 Coloco minha aliança em um anzol... estático, querendo fisgar alguma piranha para o meu lençol... freático.

151 Adoro ouvir tua risada, um som de brisa em rajada que me traz paz ao ouvido, depois ela viaja no peito e me faz crer que a vida tem sentido!

150 37 anos de sala de aula, no começo muita bronquite por causa do giz, às vezes tragava-o buscando respostas para pergunta que não fiz...

149 Dançava como flamingo no lago ácido da África, coreografia repetida no embalo de sábado, hoje no baile de formatura, dança dura e nostálgica!

148 Ela sai com eles&elas e me diz: Isto hoje é normal! Tiro as luvas, beijo a lona, jogo a toalha, nocauteado no golpe de tanta escolha sexual!

147 Agonia total! Letal lobotomia, sem memória ela conta sua história, sem passado inventa namorados, sem repulsa me expulsa: que fora e agora?

146 Hoje te chamei de tonga! Você respondeu: -Tosco, que abuso! E na burrice mútua, te pus no fosso, tu me fez em culpa: um desencontro confuso!

145 Ao inferno e além! Através das três fronteiras do homem: a virgindade do bem, a falta de pó no pós Terra do Nunca e o politeísmo do sêmen!

144 À dívida devida, dê vida, divida. À dádiva da Diva, dê vinho, divino. Dúvida de vidro, doída, de Deus! Mordida doida, me deu de dedo. Adeus!

143 Jogo meu anzol virtual em teu aquário digital, comes a isca em um e-mail indecifrável, mensagem infalível de nosso jogo ulterior de amor!

142 A Você minha loucura télica: sou um esquizopata, neurossivo, parafrênico, compulníaco, obsenóico sem cura, em Lua de síndrome psicodélica!

141 No canto da boca a saliva seca emoldura o sorriso nervoso. O ar rarefeito pela situação vira palavras curtas e silábicas: -Sou i-no-cen-te!

140 Ana Julia daMaria (2)! Assim caminha tua humanidade: como uma porta sem trancas, um olho mágico no passado e um verão sem idade!

139 Ana Júlia! Um círculo onde falta um risco de giz para ser fechado; um adeus não dado, um sorriso aberto: saudades de um olhar verde azulado!

138 Nanopoesia 6: Cuidado com a ética sem a ética do cuidado.

137 Nanopoesia 5: -Te avisei! -Rápido?-Gozei!-Estúpido!

136 Nanopoesia 4: Só...fugi dos pós em nós!

135 Nanopoesia 3: Fé só é um pé...

134 Nanopoesia 2: Era ela Uma, em uma bela era!

133 Nanopoesia 1: -Ouvi um iiih! Quando de ti saí...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Avesso

Miro 3.jan.2006

Minha natureza te detesta
Porque tu és o meu avesso
O contrário de uma festa
Tudo que ainda não conheço
...
Minha essência te rejeita
Diabo na casa do terço
Urubu na minha horta
Rima torta no meu verso
...
Minha história te contesta
Do final até o começo
Tua caminhada é feita
De aventuras e tropeços
...
Minha memória te apaga
Quando você desaparece
Mas como se fosse praga
Em meu peito ainda cresces
...
Mas teus olhos são constantes
Eles me perseguem pela vida
E eu me entrego num instante
A tua fome de fera ferida
...
E tua boca me devora
Como loba em pleno cio
Faz o tédio ir embora
Fogo aberto contra o frio
...
O teu ventre me arrebata
Como ondas em maré cheia
Invadindo minhas matas
Viro praia sem areia
...
Só tua carne me sustenta
Como ela sem tempero
E a diferença não se agüenta
Mistura calma e desespero
...
Minha natureza te detesta
Minha essência te rejeita
Minha história te contesta
Minha memória te apaga
...
Mas teus olhos são constantes
E tua boca me devora
O teu ventre me arrebata
Só tua carne me sustenta.

Ampulheta!


Miro 01.08.2003

Ao olhar a areia escorrendo tranqüila na ampulheta
Sinto o tempo no vão entre os meus dedos
Lembro-me dos ciclos que já vivi
Das vezes que para recomeçar
Precisei, como a ampulheta,
Virar-me de cabeça para baixo
Deixando escoar velhos preconceitos
E enchendo o vazio da ansiedade
Com o calor da vontade
E as cores vivas da esperança
Meu maior engano foi acreditar
Que cada ciclo seria definitivo
E a cada vira-volta que fazia
Mais aprendia,
Um novo
modo de olhar:
o mundo
Olhar o vento
Olhar as pessoas
E o próprio tempo.
Hoje sei que o tempo é amigo
Que apaga as mágoas
Que supera as perdas
Que apesar de inesperado
E inevitável, é o tempo
O grande recurso que tenho
Para ser feliz, para ser amigo
Para ser alguém, para olhar o futuro
E para recordar também os bons momentos
Que como a areia da ampulheta
Escorregaram ligeiros pelos meus olhos
Mas que por força da saudade
Se agitam sempre no fundo do coração
Trazendo a certeza que me leva em frente
Em busca de novas verdades, novos desafios, uma nova realização!

Divas & Divas

Miro 17.08.2004

Adoro achar nas mulheres mais lindas
Pequenos defeitos que as fazem quase reais...
Tornando leve, possível e descontraído,
O difícil encontro com a inusitada Vênus
Em dia de trabalho... ao acaso esculpida!
...
Uma pinta atrevida junto a lábios carnudos,
Orelhas de abano entre cabelos sedosos,
Dentes de Mônica num sorriso de estrelas,
Gordurinhas além da calcinha, uma estria nos flancos.
Pequenas marcas... que as tornam humanas!
...
Outros estímulos minúsculos também me encantam
Nos quais mergulho em devaneios curtos
São ondas cristalinas do divino momento
Quando descubro o belo de uma mulher comum
Que a transforma de repente... em minha inesperada Diva!
(*) Para minha inesquecível Diva, com saudades, muitas...

Jaça!

Miro 10.06.2005
Quando da convivência nos escapa
Aquela pessoa que nos é tão cara
É como descobrir dentro do peito
Um pequeno defeito em pedra rara
Assim sem graça pela distância
E diante da jaça que se fez saudade
A ansiedade fala do que não está pronto
E do consolo tolo da esperança
Quem sabe colar ausência em mil pedaços?
Talvez a mágica de algo inesperado
Que no destino crie alguma trança
No espaço aberto confortável da amizade
Ou no instante feliz do reencontro!

À Tua Pele Negra

Miro 02.jan.2006

Quando a tua pele negra
De repente me devora
Viro teu escravo branco
E Você minha senhora...

O teu colo é uma senzala
Os teus lábios são grossos açoites
Que aumentam minha tara
E me queimam toda noite...

Quando a tua pele negra
De repente me devora
Viro teu escravo branco
E Você minha senhora...

O teu ventre é um chicote
Eu me amarro no teu tronco
Tuas pernas uma prensa
Que me deixa sempre pronto...

Quando a tua pele negra
De repente me devora
Viro teu escravo branco
E Você minha senhora...

Tua cama é um pelourinho
Onde algemas minhas mãos
Quero servir ao teu prazer
Num Tijuco de tesão...

Quando a tua pele negra
De repente me devora
Viro teu escravo branco
E Você minha senhora...

Africana Deusa do Brasil
Tuas coxas são minhas guias
Estou preso aos teus grilhões
E nem quero alforria...