quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Lei Seca

Miro 24.11.2013

Época de corredores estreitos:
um emaranhado de mil perdas
que transformam o progresso
em vitórias de Heróis da Merda?

A lama tecendo os congressos:
os pés calçados em "éticos" ardis
maculam as páginas do Direito
com decretos de soluções pueris.

Uma tristeza cavalga sem freios
de olho atento as tais urdiduras
que criam grana com os arreios!

Já fomos ex-escravos sem Rei
criamos liberdades nas ditaduras
hoje secamos... de molho nas Leis!




segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fantasia de Crepom

Miro 7.1.2013

Uma emblemática cor
vermelha carne no néon
com negro cio ao redor
de lábios sem batons!

Num movimento fora de si
mudou meus ritmos e tons
numa sequência Debussy
em improvisado marrom!

Uma passista da vida
domando minha avenida
com fantasias de crepom!

Mas se tudo dura o agora
logo tratou de ir embora
como todo momento bom!



Mural Japonês


Miro 29.12.2012

Era simples viver
um pedaço de pão
o arroz com feijão
um vermelho baton...

meu sorriso era largo
os olhos espertos
meus braços abertos
ao amigo da vez!

Depois veio a grana
a tal sofisticação
em rococó de tons...

tudo tão complicado
como ler o que é certo
num mural japonês!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Calendário

Miro 23.12.2012

Desato o destino vadio e hilário,
quase uma pulseira do Bonfin
com tantos desejos desbotados
como saia da era de Aquário!

Diante da soleira bíblica do fim
em dois mil congelei o meu diário.
E agora pelos Maias abandonado
sobraram pedras no caos lendário!

Quero voltar a viver sem cuidado
feito gato fugindo de um mastim
a boca livre dos vetos do jardim.

Nos riscos vazios do calendário
vou saltar do organizado armário:
e fugir dos falsos dotes querubins!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Luto Antecipado

Miro Belo Horizonte 14.12.2012

carrego comigo as tuas dúvidas
como um álibi dos maus achados
tratando de cozinhar os teus ciúmes
num fogo lento de lenha molhada

lavo minha alma com as lágrimas
que saltam dos olhos no prazer
peneirando tristezas no volátil
em noites que evaporam solidão

e quando volto solto em lucidez
trocando consciência por miúdos
o instinto me leva tonto até Você

desde o bar até a casa da viúva
que se põem em luto antecipado
e fantasia a morte dos lençois

Banho-maria!


Miro 19.12.2012

Não tenho interesse em sonho
que não faça parte da realidade
que na Lua instantânea do dia
fique escondida feito estrela...

Não quero mais qualquer fantasia
que escorra da mente sem liberdade
prefiro o carrasco do quieto
se o preço é para não tê-la...

Não vou reinvestir no devaneio
que sopra contra o concreto
e torna impossível a alegria...

Nem vou me apaixonar tristonho
por musa que marina os arreios:
e me faz sapo... em banho-maria!


Casulo

Miro Belo Horizonte 14.12.2012

Volto correndo ao meu abrigo
onde me escondo da felicidade
fico quieto, paralisado na muda
querendo que penas virem asas!

Sinto o confortável de um ninho
que me afasta da via frustração
e tece-me ao redor o edredom
que alisa cheiro, desejo e sabor!

Um casulo de intenções castas
que alimenta crua metamorfose
numa hipnose de finas letargias…

Sabe lá se algum maduro novo
como um ovo petrificado e só
possa inventar… outros pecados!