sábado, 8 de maio de 2010

Maria Augusta (*)

Miro 13 de setembro de 1993

Muito Sol, tantas Luas!
Pela estrada nua
pés já cansados de chão,
enquanto o peito
carregado de frutos
espalha no vento
compreensão!

São tantas lembranças,
algumas mansas tristezas,
enfeitando esta longa rua
enquanto nos olhos,
somente a esperança
brilha constante
realçando a pele morena,
emoldurada de cabelos brancos!

Conduz através dos tempos
meus pés que lhe segue confiantes:
carregados de gratidão!

(*) Para minha avó materna Maria Augusta, musa de meu patriota e poeta avô Francisco Pereira da Silva!

Fragmentos de uma vida... (*)

Miro 15.08.1981

Quando às vezes meu olhar
se esconde como o Sol
por de trás desta cidade.
Vejo a luz de um outro olhar
tão perdido quanto o meu
em sentimentos de saudades...

Alço vôo na memória
lembro seus cabelos brancos
onde o tempo fez morada.
Seu olhar além das nuvens
voltando aos dias de criança
o começar da caminhada.

Pé no chão em manhã fria
a brincar numa pracinha
de quebrar água gelada.
De correr atrás de bonde
e colher alguns tostões
que caíam pela estrada.

Depois à tarde num campinho
com toda turma se juntava
pra brincar bola de meia!
Esquecia que era pobre
nem ouvia o mãe chamado
pra jantar tão parca ceia....

Assim lembro suas conversas
fragmentos de uma vida
que o tempo não levou.
São quais telas coloridas,
são tão belas na memória,
as histórias que contou!

Ainda o vejo em sua cadeira,
balançando com seus canários
sob os galhos da amoreira.
Toda saudade no olhar!
Sinto minha alma na dele
ao ver meu dia terminar...



(*) Para Quintiliano Pedroso meu romântico poeta e avô paterno!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Vigílias de Areia

Miro 4.5.2010

Todos os começos
são ternos, são berços
que se fazem completos
por serem inícios
sem culpas ou vícios.

Depois o destino entorna
palavras em lavas
reveses em lutas
raivas e gestos febris
saltam de braços hostis.

Não mais trocas lúdicas
e é estéril qualquer olhar
a bússola perde o leste
e o nível cai das alturas
enquanto o íntimo... satura.

Perde-se a ilha do amor
que sem mares por perto
produz vigilias de areia
e os olhos sem dono
descartam sonhos e o sono...

Ciclo sem sim...

Miro 4.5.2010



Mostro o que gosto

nos meus olhos

e nas minhas lágrimas!



Mostro o que não tenho

no meu cerrado senho

e em meu sorriso à vontade!



Meço meu desejo

pelo brilho do teu olhar

ou no lúdico do teu apreço!



Volto ao teu começo

como um fim em mim mesmo

em um ciclo quase sem sim...

Narcísico e Hedônico Ser!

Miro 4.5.2010

Que voz é esta
que não se faz silêncio
ao redor e além de mim:
-Onde está teu prazer?
Enquanto eu grito
este estéril culto
ao distante do teu Ser:
-Narcísico e hedônico Ser!
Louco... eu fico em nó,
por ainda assim,
e tanto assim:
-Só... te querer!

Ele & Ela

Miro 4.5.2010

Ele tinha conversa
eu com versos...

Ela vinha de esporas
eu de espera...

Ele: Era de Aquário
eu de otário...

Ela trazia esgrimas
eu em lágrimas...

Ele fugiu primeiro
eu inteiro...

Ela ficou comigo
eu perdi... um amigo?

Migra

Miro 4.5.2010



Migra

amiga

por pórticos

sensuais.


Ambígua

cruz de

indesejados

ais.


Vírus

incubados

por tribos

e animais.


Só símio

assimila

teus blefes

letais.