sábado, 15 de dezembro de 2012

Cinquenta e Um

Miro Ouro Preto 15.12.2012

Uma velha senhora aparece na janela
traz nas mãos um saco de pano cinza
que de tão usado parace ter
cinquenta tons...

Na ladeira em frente, o Pub ainda vazio
guarda entre os seus utencílios antigos
gargalhadas soltas que em Baco compõe
cinquenta sons...

As pedras usadas pela Inconfidência
sobem lentas em um ângulo à sombra
de cinquenta graus...

A senhora remexe a mão no velho pano
Seríam confetes? Sorrindo tira do saco
um único tchau...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Espera

Miro 7.5.2012

Espera um pouco
que a vontade vem
ela vem de trem…
um cargueiro no cio
bufando vazio
na serra de tua libido…

Espera mais um pouco
que o desejo tem
pontes imprevisíveis…
respira o ar escasso
no pequeno espaço
do intenso e proibido…

Espera um pouco mais
por um encanto além
do teu vagão escuro…
para que de graça
teu corpo se faça
solto dos trilhos…

Espera só... um tanto
que a saudade é um bem
que aparecerá mal criada...
feito dormente sem dono
queimando teu sono
com um fogo sem brilho...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Bússola Itinerante

Miro 12.12.12 (às 12 horas, 12 minutos e 12 segundo)

Minhas presas de aço
são prisioneiras de tua pressa
quando rápida e rasteira 
larga me ao largo dos constantes…

E nos rastros de casta carência
paraliso-me em teus passos rápidos
que cria ondas de delicado suor
na forquilha dos teus quadriz…

Finjo que não quero ter desejo
e por de traz do velho rayban
sigo tua bússola itinerante...

E no vai-e-vem de tua valência
farejo teus pólos sem Norte
levantando de leve… o meu nariz...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Noventa e Dois Policiais

Miro 15 de novembro de 2012

Velho como um paralelepípedo
fingindo-se de morto no asfalto
é a pedra craque cortando chassis
no araquiri anônimo dos assaltos...

O sangue agonizante da cidade
coagula-se entre coliformes fatais:
numa cheia suja de lamas e ciladas,
que congestiona pistas… marginais!

Fardas sujas pelo plasma derramado
cheiram o azedo da Ponte dos Limões
criando náuseas políticas... às ilusões.

Já não dá para esconder no eterno gris
a contabilidade rubra dos telejornais:
"Executados... noventa e dois policiais!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Barril de Navalhas

Miro 8 de novembro de 2012

Tempo raro de diamantes
em velhas minas difíceis
com veios impossíveis
para ferramentas surradas.

Cheiro de corte nauseante
travando o tesão na raiz
dando nó cego ao nariz
avesso às cavernas usadas.

É o reverso da medalha
no peito de falso mendigo
rogando pão por piedade. 

Posto num barril de navalhas
o prazer escolhe seu abrigo
no estalo cão da infelicidade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Liberdade Latente

Miro 22.10.2012

O ar rarefeito dos porões
onde gritos são abafados
por mordaças molhadas:

preparadas com sal grosso
criavam um falso silêncio
ante um poder absoluto...

Do lado de fora a ordem
garantia algum progresso
com maternidades em luto:

sem corpos para velar
clamam por explicação
querem saber qual delito?

Nos corações apertados
o jogo chato da omissão
feito um silêncio maldito:

um campo sem torcida
numa derrota por WO
ante fardas do invisível...

No labirinto da consciência
uma semente sem casca
germina do incompreensível:

alguma liberdade latente
convulsiona em resistência
mesmo por pás soterrada…

…

Por mordaças molhadas
ante um poder absoluto...
maternidades em luto:

querem saber qual delito...
feito um silêncio maldito
ante fardas do invisível...

alguma liberdade latente
germina do incompreensível
mesmo por Paz… soterrada!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Bardo Avatar

Miro 15.10.2012

Tempo de desvestir palavras
e protagonizar nu a poesia,
sem qualquer maquiagem
minerar a toca da fantasia!

Hora de abrir novas lavras
e garimpar preciosas rimas,
mesmo em curta-metragem
nas dobras da auto-estima!

Com a intenção sem arames
quero fluir entre trovas veios
no vai-e-vém de meus anseios...

Até que o bardo avatar declame
algum novo verso audacioso:
o ouro raro... de poético gozo!