quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Banho-maria!


Miro 19.12.2012

Não tenho interesse em sonho
que não faça parte da realidade
que na Lua instantânea do dia
fique escondida feito estrela...

Não quero mais qualquer fantasia
que escorra da mente sem liberdade
prefiro o carrasco do quieto
se o preço é para não tê-la...

Não vou reinvestir no devaneio
que sopra contra o concreto
e torna impossível a alegria...

Nem vou me apaixonar tristonho
por musa que marina os arreios:
e me faz sapo... em banho-maria!


Casulo

Miro Belo Horizonte 14.12.2012

Volto correndo ao meu abrigo
onde me escondo da felicidade
fico quieto, paralisado na muda
querendo que penas virem asas!

Sinto o confortável de um ninho
que me afasta da via frustração
e tece-me ao redor o edredom
que alisa cheiro, desejo e sabor!

Um casulo de intenções castas
que alimenta crua metamorfose
numa hipnose de finas letargias…

Sabe lá se algum maduro novo
como um ovo petrificado e só
possa inventar… outros pecados!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cinquenta e Um

Miro Ouro Preto 15.12.2012

Uma velha senhora aparece na janela
traz nas mãos um saco de pano cinza
que de tão usado parace ter
cinquenta tons...

Na ladeira em frente, o Pub ainda vazio
guarda entre os seus utencílios antigos
gargalhadas soltas que em Baco compõe
cinquenta sons...

As pedras usadas pela Inconfidência
sobem lentas em um ângulo à sombra
de cinquenta graus...

A senhora remexe a mão no velho pano
Seríam confetes? Sorrindo tira do saco
um único tchau...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Espera

Miro 7.5.2012

Espera um pouco
que a vontade vem
ela vem de trem…
um cargueiro no cio
bufando vazio
na serra de tua libido…

Espera mais um pouco
que o desejo tem
pontes imprevisíveis…
respira o ar escasso
no pequeno espaço
do intenso e proibido…

Espera um pouco mais
por um encanto além
do teu vagão escuro…
para que de graça
teu corpo se faça
solto dos trilhos…

Espera só... um tanto
que a saudade é um bem
que aparecerá mal criada...
feito dormente sem dono
queimando teu sono
com um fogo sem brilho...

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Bússola Itinerante

Miro 12.12.12 (às 12 horas, 12 minutos e 12 segundo)

Minhas presas de aço
são prisioneiras de tua pressa
quando rápida e rasteira 
larga me ao largo dos constantes…

E nos rastros de casta carência
paraliso-me em teus passos rápidos
que cria ondas de delicado suor
na forquilha dos teus quadriz…

Finjo que não quero ter desejo
e por de traz do velho rayban
sigo tua bússola itinerante...

E no vai-e-vem de tua valência
farejo teus pólos sem Norte
levantando de leve… o meu nariz...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Noventa e Dois Policiais

Miro 15 de novembro de 2012

Velho como um paralelepípedo
fingindo-se de morto no asfalto
é a pedra craque cortando chassis
no araquiri anônimo dos assaltos...

O sangue agonizante da cidade
coagula-se entre coliformes fatais:
numa cheia suja de lamas e ciladas,
que congestiona pistas… marginais!

Fardas sujas pelo plasma derramado
cheiram o azedo da Ponte dos Limões
criando náuseas políticas... às ilusões.

Já não dá para esconder no eterno gris
a contabilidade rubra dos telejornais:
"Executados... noventa e dois policiais!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Barril de Navalhas

Miro 8 de novembro de 2012

Tempo raro de diamantes
em velhas minas difíceis
com veios impossíveis
para ferramentas surradas.

Cheiro de corte nauseante
travando o tesão na raiz
dando nó cego ao nariz
avesso às cavernas usadas.

É o reverso da medalha
no peito de falso mendigo
rogando pão por piedade. 

Posto num barril de navalhas
o prazer escolhe seu abrigo
no estalo cão da infelicidade.