quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Naves de "Nuncas"

Miro 2/11/2018 Presidente Getúlio

Como expressar
o confuso de dentro
que espeta e aperta
o peito
de um modo
atrapalhado
criando cicatrizes
antes mesmo
de formar as feridas
criando brechas sem vida
sem raios de lucidez
só com nuvens
naves de "nuncas"
e um tudo de nadas
de onde sementes estéreis
desabrocham para o centro
cheio de adubos perdas
ao invés buscar
qualquer céu
nublado e sem estrelas!

Sombra Encruzilhada

Miro 2/11/2018 Presidente Getúlio


As vezes uma estrada vira duas
como uma dúvida em cruz...
São espaços de mudança
que alteram o curso do olhar
quem sabe trazendo novos cheiros
e porteiras que não se sabe abrir...
E se o corpo pede pausa
a alma em Lua não descansa
e avança a frente com míope olhar
desenhando cenas de esperança
nesta briga entre parar e qual lado seguir..
Só estanca na vida quem desistiu
porque a vida é feita de dúvidas
e de escolhas que são transitórias
com histórias de amor e dor, 
de raiva misturada com carinho
de desejos na saudades
de não continuar
então vem o combustível lágrima
que é a forma de superar 
a atração do ímã loucura
e de parar sem ação
a margem de sombra encruzilhada.

Destino que Empena


Miro 15.11.2018 

O que não era para ser um fora 
foi se embora sem nada dizer
e o que era para ser toda hora
agora é só um distante não ver
criando uma nova solidão
que se inova nos nós
cegos do coração
que outra vez está só
viajando sem retornos
por paisagens desertas
onde teu desejado contorno
deixam minhas asas incertas
feitas com duras penas
que me fazem cair
no destino que empena
pelas lágrimas da dó ilusão...

Lágrimas Discretas

LÁGRIMAS DISCRETAS

Miro 2/11/2018 em Presidente Getúlio - Chácara dos Bortolon


As vezes uma lágrima cai
como se fosse discreta
e ser humano algum
pudesse notar...
Aí a noite serena
e sem pudor
faz das estrelas solidão
colocando
a distância entre elas
no pequeno espaço
do coração!

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Kirigami

Kirigami

Miro 19.08.2018


Empírica
lírica caipira
que respira
e
nos meus olhos
recolho com medo e prazer
ao ver o verso de tua bailarina em kirigami
onde um tsunami de teus feromônios
quebra meus hormônios latinos 
onde refino intentos loucos
que pouco a pouco
 me punge
e te unge
 como musa
que me acusa inquieta
e arieta sem rumos meu barco
no arco de um vestido vermelho
rubro espelho de minha alma em tango 
um morango rubi em taça vazia de cristal
onde a tal bebida deusa nua ainda pretendida
só me foi servida em única onírica dança empírica
!!        !!
!!        !!
!!        !!

!!        !!

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

ESMERALDA

Miro 6.9.208

Perdi minha esmeralda bruta
em uma luta sem fronteira
que atravessou os tempos
e as asas de meus anjos nus…

O mundo visto através dela
era uma tela verde de videiras
que renasciam do frio seco
em nós de gavinhas no cio…  

Agora o ar rarefeito no surto cru
cega o senso pelas narinas
com o cinza pó de gritos curtos…

E numa sombra de surdo pavio
tatuo trilhos na sanidade fria 
usando o giz do nexo absurdo…

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Maestro



Miro 1.8.2018

Sabe aqueles três ou quatro pomposos gestos
em que a orquestra estática fica em silêncio
admirando o regente em seus movimentos
que sincronizam sem som os instrumentos?

Sabe aquele momento que a batuta abaixa
e a música começa como passe de mágica
enchendo o ar de vibrações em harmonia
as vezes provocando tristeza, outras alegria?

É assim que me sinto flutuando no teu silêncio
esperando algum sinal de evidente afirmação
que me inspire e convide a tocar a tua canção…

E neste breve tempo tão cheio de eternos brios
fico angustiado a espera de um comando seu
esquecendo ingênuo… que o maestro sou eu!