domingo, 26 de agosto de 2012

Oca da Agonia

Miro 26.08.2012

Perdido na oca da agonia
carregando pesos e fantasmas
entre musgos e morcegos
sem remédios e sem veias…

A mercê de qualquer mixaria
sentado na lama dos sapatos
com os pés cheios de feridas
sem forças e sem meias…

Sugando um ar rarefeito
húmido asco de sacos usados
que dá ao peito... ransos em teias!

Mas o coração se agita no peito
e grita um querer alucinado
fugindo nú... de tuas cadeias!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Torre de Babel

Miro 10.08.2012 aniversário da Alba

Desencontros nos sons de um bar
murmúrios de toda as vozes
assuntos sem qualquer pauta
risos que no ar se perdem?

Um canto longe em desalinho
no vazio dos poucos silêncios
um quê de tantas ausências
no ôco cheio dos ouvidos!

E nas entrelinhas sempre vãs
alguns de si mesmo escapam
sem se quer sair do lugar!

E outros ainda se encontram
como brilhos de trilhos de trem
cada qual mantendo o seu lado…


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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Venice Beach

Miro 14.08.2012

Como encarar aquela paixão?
O suor de uma vontade mofada
por mais de vinte anos tatuada
entre poemas beats no coração!

O parque nos canais de Venice
o inesquecível beijo antes do ato
a incompreensível esquisitice
dela ter esquecido tais fatos?

Vestiu a mesma camisa florida
passou o perfume preferido dela
antegozando o cobiçado instante!

Encontrou-a ainda mais bela
senhora de inesperada vida
tão diferente... quanto distante...

domingo, 29 de julho de 2012

Ninho de Pimenta

Las Vegas - Miro 29.07.2012

Dona de todos os vícios
no meu jardim do Éden
voas de pernas abertas
ao redor de pólens no cio...

O balanço de tuas ondas
escorre do colo até as ancas
e na lenha de teus perfumes
lambo tonto teus hormônios…

Tua pele em mil arrepios
acolhe meus carinhos tortos
como um ninho de pimentas…

E o jogo prorroga o fogo
penteando suor imaginação
em tua cama sem limites...


quinta-feira, 19 de julho de 2012

Longe do tempo

Miro 19.07.2012

Longe do tempo
perto da vida
dando vinhos ao vento
no coração a alegria
num ritmo raso… 
lento!

Leve dos egos
pesando os valores
dos maus entendimentos
absolvendo rebeldias  
sem qualquer
discernimento! 

Livre para errar  
preso aos amigos
aos bons sentimentos
num mar de ausências
entre signos raros… 
isentos!

Louco por nada
lúcido do todo
em atonal movimento
santa consciência
em laicas cruzadas
de acolhimento!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Rua Incerta


Miro 12.06.2012

Mata-me com tua eterna depressão
com este teu gosto de estrada vazia
que ainda insisto em querer trilhar
com passos bambos  e sem direção...

Se persigo teus rastros mesmo assim
é que eles me incentivam como ímã
pois pressinto neles o significado
do tudo de ti que pertence a mim...

Ao varrer com teu olhar impreciso
minha vida-livro de ruim conteúdo
só terás direito aos teus próprios sisos...

E se cortas com silêncios minhas asas
busco no céu possível dos teus delírios
a rua incerta desta paixão sem casa...   

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Alvo Branco

Miro 11.06.2012

Na grande vidraça embaçada
uma lágrima escorrega caótica
e derrama sobre o parapeito frio
argumentos dignos do botequim...

A imagem dos campos em geada
esbranquiçada sob qualquer óptica
dispara no meio do peito arrepios
que congelam o desejo em estopim...

A inércia no olhar vira temporada
sem a preciosa procura semiótica
ao não querer saber o que há no fim...

E o inverno de lesões acomodadas
afunda-se em reflexões sobre o vazio:
no alvo branco que habita em mim...