terça-feira, 31 de julho de 2018

Minha Perdas

Miro 23.06.2018

Choro triste e sozinho
todas as minhas perdas
mesmo aquelas distraídas
que nem sabia que tinha
algumas foram só fantasias
mas todas “realmente” minhas!

Algumas delas sem dúvida
mais do que simples perdas
foram casos bonitos
afinidades sinceras
paixões incontroláveis
a até amores infinitos !

Outras não só se perderam
mas as deixei escapar
por entre o liso dos dedos
sujos pela presunção, 
ensaboadas de prazer,
ledo engano ou confusão!

E toda vez que me iludo
achando que já se foram
as vejo diante do espelho
nas lágrimas que não vejo
quando digo que nada sinto
de cada frustrado desejo!

Mesmo ainda sofrendo
eu não as abandono
eu as guardo comigo
como jóias sem preço
como buracos sem teto
no lar dos loucos apreços!

Onde nelas grudam poeiras
chuvas que nunca secam
feito lágrimas que não se vão
e que de tempos em tempos
sob a réstia de algum luar
pintam minhas dores no chão!

Aí só me resta o consolo
de cair no colo da solidão
e ouvir no silêncio da noite
as perdas deixadas no ar
até as que não tive coragem
de compor por medo de amar!     

Fina Fresta

Miro 14 de julho 

Uma fina fresta em luz
rasga a cortina…  solidão
e enche de vãs esperanças 
o quarto escuro… coração!

Expectativas brincam no pó
com cinzas cores… frustração
enquanto o Sol renasce
no espelho mar… ilusão!

São só flashes no olhar
que atraídos pela réstia
queimam o filme… viver!

E deste naufrágio sem mar
uma lágrima cria-se seca
salgada de tanto… não ser! 

Com que tinta?


Miro 17.07.2018

Às vezes penso
com que tinta 
minha história 
foi feita?

Tinha a verde
com que meu Pai
prescrevia 
suas receitas...

Lembro-me da preta
com que meu Avô 
compunha 
suas poesias...

Talvez a vermelha
com que minha Bisavó 
corrigia 
meu "escrever"...

Ou ainda a azul
com que minha Mãe
psicografava 
harmonia...

Será que importa a cor?
Se todas elas...
ensinaram-me 
a viver?

Jogo sem Cartas

Miro 21.07.2018

Como parar de te olhar
atirando-se num poço
que nós dois construímos
para um dia eu te salvar?

Como posso gostar
de viver me fazendo de moço
no velho que produzimos
para o novo em pó se acabar?

Minha dor não te conta
a tua já não me importa
e assim nossa dor ficou torta!

Teu amor me desaponta
Tu de mim diz estar farta
e o nosso jogo… ficou sem cartas!

Saxofone


Miro 24.07.2018

Às vezes uma emoção complexa aderna 
e entra quase náufraga nos vãos da melodia
como um saxofone rasgando rouco… uma caverna  
e nutrindo torto o húmus seco de falsas alegrias…

E nela ecoa replicando alto suas notas vadias 
em descompassada guerrilha com a canção 
atravessando sem arrependimento a harmonia 
e indo fundo nas sombras esquivas do coração.

E aí compõe arranjos loucos em trapos de veludo
feito um patchwork vivo de decepções e ânsias 
que cobre de acordes frios tua atonal distância!

E se só tenho ao alcance teu vácuo como escudo
para enfrentar o silêncio escuro até a luz distante
Já não tenho mais teu ar… para compor adiante!

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Rabo Dourado

Miro 3.4.2018

Os meus olhos líricos
Carregados de ouro
Garimpam no céu
Nuvens que escorregam
Entre meus medos
E me deixam feliz
Por ledos dez segundos!

Olho minha vontade
Como um novo veio
Uma xícara vazia
Pronta para tudo ou nada
Para ser usada no limite
Em qualquer mina
Com qualquer líquido
Que exploda além
De um dinamite café.

Olho meu final de dia
Cansado de coisas normais
De tanto driblar o vazio
Entre tantas adversidades
De correr atrás do nada
Que como um rabo dourado
É impossível morder
E se fosse... seria um açoite
Que douraria à noite toda.

Tango Inconsciente


Miro 4.7.2018

Ah! o teu pedaço em mim
quem dera fosse um inteiro
não só incompleta arte
que deixa o belo em partes
e da fração me faz prisioneiro
incompleto, sem início ou sim!

Ah! a tua dança ao redor
que gira solta na mente
e rodopia em poemas
como bailado sem tema
num tango inconsciente
que temo não saber de cor!

E o teu vestido carmim?
quem sabe seja só um roteiro
para me embriagar até Marte…
onde sem vencer teus baluartes
torno-me de ti prisioneiro
sem saber se a pena terá fim!

Orbito em teu encanto maior
buscando vida em um viveiro
cativo de velhos encartes  
e se a dúvida é porta estandarte
sento-me quieto e só num poleiro
incapaz de em ti… dançar melhor!