quinta-feira, 31 de maio de 2012

Ao inverso?


Miro 18.05.2012

Que estranho costume
me fez mergulhar autista
no louco do teu perfume?
Em que filme passageiro
deixei de ser protagonista
e pus-me fora do teu roteiro?

Com qual instrumento
sai de tuas escalas
e desafinei em teus sentimentos?
Em qual coincidência
virou senzala
a tua constante ausência?

Em que espelho quebrado…
tua imagem deixou
de cristalizar-se ao meu lado?
Que noite sem Lua
em meus olhos vomitou
tantas saudades tuas?

Qual direção sem Norte
me fez perder os sentidos
em teu silêncio de morte?
Em qual tua pouca valia
fiquei esquecido
como fonte de tua alegria?

Que maníaco vento
me fez náufrago subjetivo
no mar do teu temperamento?
Que impreciso verso
fará teus olhos depressivos
ver tudo isto ao inverso?

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Tunel Boreal 1

Miro 18.05.2012

Um tiro no gosto da boca
o tempo em descompasso
o pulso no ventre do acaso
o sangue em depressão

uma sequência de cenas
veloz na retina que seca
sirenes silenciam o caos
ante o túnel de cor boreal...

O medo deixa de paralizar
o corpo inerte não ressente
não está e ainda não se foi
e o eterno se faz transição

livre de qualquer juizo
sem vontades explícitas
ou pedidos de desculpas
num vazio sem final...

Uma voz quebra o fim
e acaba com a falta de dor
os músculos estremecessem
em incapaz solução

num impulso de gemidos
a morte foi postergada
sem qualquer economia
em cerimônia de tom causal...

Túnel Boreal 2

Miro 18.05.2012

Tiro no gosto da boca
o sangue se torna livre
um vazio apaga o azul...

Cenas sem sequências
escorrem na retina seca
o pulso fica sem sinal…

Sirenes calam o caos
diante de um tunel
em aura boreal…

O medo erra
e não mais paralisa!

O corpo para
e não sente!

A mente não está
eu já não sou!

Em delta mental
o tempo sem limites
some no espaço…

A transição se faz
interna e eterna
na direção da luz...

Mas no vácuo pacífico
uma voz quebra
a assinatura da cruz…


O medo volta
e de novo paralisa!

O corpo sente,
pulsa e ressente!

A mente pressente
que o portal se fechou!


O laranja do dia
dá cor leve a retina
aquém das pálpebras…

Os músculos pesam
estremecem no chão
em poças de suor…

Um gemido surdo
indica ao círculo
que renasceu a dor…


O medo se solta
e de novo paralisa!

O corpo sente
quer ficar ausente!

Mas a mente atenta
esquece o que passou!



A morte foi vencida
pelo menos por hora
outra vez postergada…

O destino continua
como beco sem saída
sem solução final…

E em nó de lembranças
a passagem esvanece 
em sépia artificial...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ás Pervertido

Miro 15.04.2012

Espécie de Ás pervertido
Escória da humanidade
Estímulo mal concebido
Espaço vadio da vontade

Estorvo de vãos carinhos
Exímio em paralelos crus
Engates suando sozinhos
Esdrúxulo em vômitos nus

Espectro que curva cores
Erótico que mata no estio
Espelho abissal de licores

Enterro de falsos favores
Esteróides loucos no cio
Esgoto branco das dores

Momentos de Transição

Miro 15.04.2012

Algo novo no meio usado
Um olhar em perspectiva
No espaço congestionado
A língua contra a gengiva

Uma morte cheia de dedos
Letras do campo ilusão
Os dentes tensos de medo
Momentos de transição

Desejo preso em tipóia
Os óculos repletos de lãs
As voltas da musa jibóia
 
Lágrimas de gosto azedo
O óbito doce das manhãs
O ontem chegou mais cedo

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sem deixar dúvidas

Miro 07.05.2012

Cumprimentou-me como se fosse íntima
beijou-me como se dominasse meu hálito
empurrou-me louca por vertigens ínfimas
apertou-me como seu espartilho mágico...

Atravessou-me com um olhar sexy-místico
deitou-me em transe em sua tenda gótica
cravou-me dentes com seu tesão mórbido
girou-me do avesso em convulsão pélvica...

Arrancou-me gotículas de suores gélidos
virou-me em brasa com seu colo cálido
esticou-me em cio de afetividade lésbica...

Despachou-me cheia de senhas e dívidas 
Partiu-me em pedaços com seus hábitos
Desapareceu-me nua sem deixar dúvidas...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Absurda Intenção

Miro 4.5.2012

Encho com vazios os balões do teu cio
Coloco tédio na fechadura dos remédios
Lambo-te com línguas escandinavas mortas
Masco o usado clichê dos teus orifícios

Vadio em tuas conchas quentes neste frio
Bebo no ar seco tua saliva em lobo assédio
Agarro-te através de trajetórias tortas
Leio frações na carreira de teus vícios

Corto-me em tiras diante de tuas mentiras
Escovo com a língua teus dentes e batons
Sinto o teu Litio em detergente solidão

Fujo da zorra de tuas secretas ziquiziras
Planto-te em porras de cotidiano plancton
Crio nuvens sem qualquer absurda intenção