terça-feira, 31 de julho de 2018

Com que tinta?


Miro 17.07.2018

Às vezes penso
com que tinta 
minha história 
foi feita?

Tinha a verde
com que meu Pai
prescrevia 
suas receitas...

Lembro-me da preta
com que meu Avô 
compunha 
suas poesias...

Talvez a vermelha
com que minha Bisavó 
corrigia 
meu "escrever"...

Ou ainda a azul
com que minha Mãe
psicografava 
harmonia...

Será que importa a cor?
Se todas elas...
ensinaram-me 
a viver?

Jogo sem Cartas

Miro 21.07.2018

Como parar de te olhar
atirando-se num poço
que nós dois construímos
para um dia eu te salvar?

Como posso gostar
de viver me fazendo de moço
no velho que produzimos
para o novo em pó se acabar?

Minha dor não te conta
a tua já não me importa
e assim nossa dor ficou torta!

Teu amor me desaponta
Tu de mim diz estar farta
e o nosso jogo… ficou sem cartas!

Saxofone


Miro 24.07.2018

Às vezes uma emoção complexa aderna 
e entra quase náufraga nos vãos da melodia
como um saxofone rasgando rouco… uma caverna  
e nutrindo torto o húmus seco de falsas alegrias…

E nela ecoa replicando alto suas notas vadias 
em descompassada guerrilha com a canção 
atravessando sem arrependimento a harmonia 
e indo fundo nas sombras esquivas do coração.

E aí compõe arranjos loucos em trapos de veludo
feito um patchwork vivo de decepções e ânsias 
que cobre de acordes frios tua atonal distância!

E se só tenho ao alcance teu vácuo como escudo
para enfrentar o silêncio escuro até a luz distante
Já não tenho mais teu ar… para compor adiante!

quinta-feira, 5 de julho de 2018

Rabo Dourado

Miro 3.4.2018

Os meus olhos líricos
Carregados de ouro
Garimpam no céu
Nuvens que escorregam
Entre meus medos
E me deixam feliz
Por ledos dez segundos!

Olho minha vontade
Como um novo veio
Uma xícara vazia
Pronta para tudo ou nada
Para ser usada no limite
Em qualquer mina
Com qualquer líquido
Que exploda além
De um dinamite café.

Olho meu final de dia
Cansado de coisas normais
De tanto driblar o vazio
Entre tantas adversidades
De correr atrás do nada
Que como um rabo dourado
É impossível morder
E se fosse... seria um açoite
Que douraria à noite toda.

Tango Inconsciente


Miro 4.7.2018

Ah! o teu pedaço em mim
quem dera fosse um inteiro
não só incompleta arte
que deixa o belo em partes
e da fração me faz prisioneiro
incompleto, sem início ou sim!

Ah! a tua dança ao redor
que gira solta na mente
e rodopia em poemas
como bailado sem tema
num tango inconsciente
que temo não saber de cor!

E o teu vestido carmim?
quem sabe seja só um roteiro
para me embriagar até Marte…
onde sem vencer teus baluartes
torno-me de ti prisioneiro
sem saber se a pena terá fim!

Orbito em teu encanto maior
buscando vida em um viveiro
cativo de velhos encartes  
e se a dúvida é porta estandarte
sento-me quieto e só num poleiro
incapaz de em ti… dançar melhor!

terça-feira, 8 de maio de 2018

Ímā Afinidade?

Miro 5.5.2018

A vida tem destas manhas
que se apresenta 
como coincidência
as vezes surpreende
outras acanha!
Como se fosse 
só uma incidência
de minha loucura 
em local inesperado
e hora estranha... 
Como um olhar perdido 
que preenche solto
e proibido
o que mais eu queria!
Como inesperado
descuido de mulher 
que atiça minha libido
e reforça minha agonia!
Como música romântica
que ouço ao ligar o carro 
e que me lembra 
afogado amor!
Ou um abraço gostoso
que desperta paixão 
por quem antes 
eu nada sentia!
Assim foi quando 
reencontrei Você!
Percebi que estava 
com tesão e saudades...
e eu nem sabia 
o porquê!
Será que deixei escapar 
sonhos e desejos?
Ou outras vontades?
Por vergonha ou vaidade?
Talvez só
uma diferenças de idades...
Porque tantos incômodos 
tantos... será que?
A razão social 
logo vem e advoga
com a a voz gélida
da verdade:
-Isto é só uma dor, 
passageira e sem droga,   
do tal ímã... afinidade!

domingo, 6 de maio de 2018

Conquista


Miro 26.02.2018

O que é uma corajosa conquista?
Não é aquela que surge ao acaso
que vem nua como golpe do destino,
mas aquela a muito tempo desejada…

Que foi escrita na calçada de menino
com o giz efêmero de cor idealista
que quer algo mais que mando raso
ou um milhão de belas namoradas… 

Não estou falando de ter carro do ano
Nem mesmo de meu time ser campeão
Ou de um raro prêmio nobel de literatura!

Falo do suor para se ir além dos enganos
no voltar atrás e superar um irredutível não
e de re-visitar a maior dor... para achar a cura!