quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Noventa e Dois Policiais

Miro 15 de novembro de 2012

Velho como um paralelepípedo
fingindo-se de morto no asfalto
é a pedra craque cortando chassis
no araquiri anônimo dos assaltos...

O sangue agonizante da cidade
coagula-se entre coliformes fatais:
numa cheia suja de lamas e ciladas,
que congestiona pistas… marginais!

Fardas sujas pelo plasma derramado
cheiram o azedo da Ponte dos Limões
criando náuseas políticas... às ilusões.

Já não dá para esconder no eterno gris
a contabilidade rubra dos telejornais:
"Executados... noventa e dois policiais!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Barril de Navalhas

Miro 8 de novembro de 2012

Tempo raro de diamantes
em velhas minas difíceis
com veios impossíveis
para ferramentas surradas.

Cheiro de corte nauseante
travando o tesão na raiz
dando nó cego ao nariz
avesso às cavernas usadas.

É o reverso da medalha
no peito de falso mendigo
rogando pão por piedade. 

Posto num barril de navalhas
o prazer escolhe seu abrigo
no estalo cão da infelicidade.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Liberdade Latente

Miro 22.10.2012

O ar rarefeito dos porões
onde gritos são abafados
por mordaças molhadas:

preparadas com sal grosso
criavam um falso silêncio
ante um poder absoluto...

Do lado de fora a ordem
garantia algum progresso
com maternidades em luto:

sem corpos para velar
clamam por explicação
querem saber qual delito?

Nos corações apertados
o jogo chato da omissão
feito um silêncio maldito:

um campo sem torcida
numa derrota por WO
ante fardas do invisível...

No labirinto da consciência
uma semente sem casca
germina do incompreensível:

alguma liberdade latente
convulsiona em resistência
mesmo por pás soterrada…

…

Por mordaças molhadas
ante um poder absoluto...
maternidades em luto:

querem saber qual delito...
feito um silêncio maldito
ante fardas do invisível...

alguma liberdade latente
germina do incompreensível
mesmo por Paz… soterrada!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Bardo Avatar

Miro 15.10.2012

Tempo de desvestir palavras
e protagonizar nu a poesia,
sem qualquer maquiagem
minerar a toca da fantasia!

Hora de abrir novas lavras
e garimpar preciosas rimas,
mesmo em curta-metragem
nas dobras da auto-estima!

Com a intenção sem arames
quero fluir entre trovas veios
no vai-e-vém de meus anseios...

Até que o bardo avatar declame
algum novo verso audacioso:
o ouro raro... de poético gozo!


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Minhas mazelas

Miro 28.09.2012

Meu orgulho é dedicado
as conquistas que não fiz,
representa um nó desatado
na corda bamba aprendiz!

Meu egoísmo é diferente,
dança tango com a verdade,
mesmo quando meu querer
luta livre pela humanidade!

Meu rancor é bem amolado,
como um facão enferrujado
na lama ácida da preguiça…

Minha raiva é duradoura,
é um foguete que estoura
o silêncio das injustiças…

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Reticências Incompleta..


Miro 26.09.2012

Tua tristeza 
tem um que de indecifrável,
mesmo quando não leio mais 
no largo do teu sorriso
o velho desejo de paz...

Tua depressão escorre em mim
como um visgo
um vício
que me torna em ti
incapaz…

E não tira só 
teu tempo de vida, 
não muda só 
quem Você pensa que é
não altera só 
tuas emoções e identidade!

Muda também a mim, 
que te amo,
muda meu olhar 
sobre Você,
muda o que sinto,
muda a minhas emoções
entre frustrações e saudades...

Não é fácil
ver teu cérebro brilhante
com uma tarja preta
pregado na cruz…

Mergulhado em química,
deixando de oscilar 
entre a sombra e a luz…

Estabilizado, estático
distanciado dos maus sintomas,
em neutralidade gris...

Teus remédios fortes
não te curam,
te livram da dupla sorte
mas não te deixam 
ser mulher
nem se quer
te deixam 
ser infeliz...

Então eu fico só
acompanhando de longe
a tua dor,
tele-cultivando
alguma afetividade,
regando com melancolia
o fruto seco deste amor...

Sou feliz em vários sentidos,
sou feliz como homem,
sou feliz como poeta,
sou feliz como engenheiro,
sou feliz como professor
e muito mais como aprendiz…

Sou feliz em meus filhos,
sou feliz com minhas paixões,
sou feliz em minha casa
sou feliz com minha esposa,
sou feliz com meus amigos
e até no louco de outros quadris...

Mas como ainda estou 
ligado em Você
como num xis,
sou uma
reticências incompleta..
não posso ser,
nem quero ser:
cem por cento feliz!

domingo, 23 de setembro de 2012

Fina Tristeza

Miro 23.09.2012

Tem uma ponta                 é só uma faca
um laço                                                     sem fio
um pedaço                                       um gelo no cio
que me incomoda                                   que me habita
que vira em roda                 que gira aflita
e me conta          e me ataca
de tua beleza                       em fina tristeza
um terço esquisito                                    um ranço restrito
quase infinito                                                         feito um rito
de contas                                            de ressaca
sem fim                    um mau manequim
um fora                 sem escora
centro de mim           no meu camarin
que em silêncio reza                que dança incertezas
indo e vindo                            vindo e indo
no repente                                           indolente
do nada                     na madrugada
ferindo             cobrindo
irreverente    o ausente
com baba             com buracos
de pimenta danada                     como dor velada  
um fogo amigo                              de viúva em jazigo 
que acaba                 tosco cavaco 
comigo…      no umbigo...

É só uma ponta       uma dor fantasma
que vira                                   que pira
e revira                                                 e respira
me apronta…                                                    em asma...

É só um pedaço                                         uma ruga na face
que mexe                                     que lixa
e remexe                     e espicha
sem laços…      sem desenlace!