quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Blefe Esquisito

Miro 5.11.2013

Faço do teus lábios
meu champanhe
jogando fora
qualquer dado
de lucidez!

No pano verde
dos teus desatinos
pago o alto cacife
que me faz
jogar Você!

Rolo em tua roleta
pulando vermelhos
bebendo com gosto
o que entornas
nas coxas!

Aposto sem fichas
num baralho riscado
um all in de doido
num blefe esquisito
que não esconde
o tesão!



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Raias da dor

Miro 5.11.2013

Faço-me dono
da tristeza
e ela me seduz
alazão sem doma
rumo só
ao morro da cruz…
                    Engulo o galope
                    da angústia
                    um tanto indigesto
                    pois não há perdão
                    que tire
                    o teu cabresto…
                                        Não há arreio
                                        que freie
                                        na trilha da solidão
                                        até o couro
                                        do teu chicote
                                        corta meu chão…
                                                            Corro sem cela
                                                            sem couro
                                                            no teu ácido suor
                                                            e sem ferraduras
                                                            nas patas
                                                            sinto as raias da dor…


Cor Ambivalente

Miro 5.11.2013

Passo… 
com o peso
do inconsciente
destinado ao pó… 

Ao redor…
só vaidades
algumas coerentes
outras… um nó…

E o pior…
só conversas
umas indescentes
outras… tem dó…

Cevo…
o rio do tempo
quase indiferente
incurso na história…

Levo…
na mochila
cor ambivalente
as lonas da glória…

Caço…
um gosto de rua
no aval indulgente
uma falsa vitória…


Passo… 
destinado ao pó… 
Ao redor…
um nó… 
E o pior…
tem dó…
Cevo… 
incurso na história…  
Levo… 
as lonas da glória… 
Caço… 
 uma falsa vitória… 


com o peso 
do inconsciente
só vaidades
algumas coerentes
só conversas
umas indescentes
o rio do tempo
quase indiferente
na mochila
cor ambivalente
um gosto de rua
no aval indulgente





Rimas Virtuais

Miro 8.11.2013

Sou de um tempo muito antigo
onde a poesia vinha para aula
despia-se na carteira ao lado
brincando em ser prima paixão…

As vezes sem elásticos ou fitas
nos cabelos soltos e molhados
deixava no ar um rastro vivo
que atiçava os faros hormonais…

Outras era um par de cinta-liga
vitrine da maior graça feminina
precificando a rima em algodão!

Hoje dos cadernos esondida
com cores de pixels perecíveis
só se expressa em rimas virtuais.


sábado, 26 de outubro de 2013

Gozo no Forno

Miro 15.10.2013

Enleado no berço da vontade
qualquer coisa vira intensão
um virtuoso círculo vicioso
no gostoso nu de tua vaidade!

A perversidade corre diferente
quando a força de um chicote
estala no ar segurando o riso
e cria no ventre o indescente!

A língua se enrola engomada
despertando cócegas e apetites
em um gatilho que não tem cão!

É o início de um gozo no forno
que no acre-doce dos tempêros
cozinha meu galo em teu tesão…

Quinto Naipe

Miro 15.10.2015

No quinto naipe da má intenção
um jogo sujo de cinco Ases…
sem curinga que bata os Reis
o logro supera a própria virtude!

É a rasteira liberdade compondo
as trincas de um seio sem rumo
que nem amamenta nem goza
estéril como a quadra não vista!

Se o jogo é de cacifes sem limites
a mesa só tem proprietário incerto
como se Deus não risse das cartas…

Mas o diabo tem suas artimanhas
e investe fogo no vão dos blefes
onde se ganha com a menor valia!

LIxa Suja

Miro 15.10.2013

O talho entre as pernas era o argumento
a calça branca apertada até a dupla digital
espalhava um cheiro de sexo com cobiça
linda como altar novo ainda sem um santo!

Mexia suas partes com o gosto dos limites
envolvendo homens e mulheres sem donos
em um ritual de incompleta degustação
sem qualquer taça para conter seu vinho!

Ficou assim como cascavel mal matada
corcoveando nos vão obscuros do chão
por onde os desejos escorregavam em fila…

Depois descabelada maquiou-se no banheiro
recompondo a moldura ao redor dos beiços
desgastadas pela lixa suja dos beijos vazios!