sábado, 26 de outubro de 2013

Jogo da Luz

Miro 26.10.2013

Há bondade nos maus enganos
e muita maldade nos acertos…
Há verdade nas dúvidas insanas
e muita mentira no que parece bom…

Há direitos no esquerdo plano
e tanta vaidade na ilusória certeza,
que torna feio… o ideal simétrico
e o perfeito toca… em desajeitado tom…

Não é possível separar os pólos
nascidos juntos como céu e inferno
se o pecado e a virtude formam uma cruz…

Quantas vezes só a sombra se quiz
mesmo sabendo que ela não existe
sem a existência óbvia… do jogo da luz!







Deserto da Vontade


Miro 26.10.2012

Sabe aquele momento em que a vida só cobra tristeza e dor
aquele ponto da história que o protagonista pensa em desistir
que o sonho vira pesadelo, a esperança acaba em depressão
e melancolia impõe-se companheira da alma solitária e aflita?

Sabe aquela cena que a tela escurece e só uma lágrima brilha
quando no teatro uma música atonal pousa aflita no silêncio
e o maestro vai para casa esconder-se da falta de aplausos
buscando algum placebo para culpar os efeitos colaterais?

Quando a escolha fica contra o destino implacável dos deuses
mesmo depois que os doze trabalhos foram prá lá de cumprido
e o suor seco nas têmporas conserva só insossas mesmices?

Quando a encruzilhada vira uma imensa rotatória sem final
como se um rabugento cachorro procurasse seu rabo perdido
numa helicoidal progressiva riscada no deserto da vontade? 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Insônia

Miro 6.10.2013

Era só um relógio no quarto escuro
com os ponteiros girando… girando…
como a noite… sem sair do lugar
entre tic-tacs só o som das ausências…

Um silêncio de se ouvir o sangue,
vez por outra quebrado pela tosse
ou pelo som do pijama no lençol
em movimentos aleatórios de tédio…

O tempo vooando feito beija-flor
ora parado no ar, ora trisco de luz
compondo lento a impaciência…

Preocupação, insônia, depressão
em uma obsessiva roda do tempo
a espera do primeiro raio de Sol!

domingo, 6 de outubro de 2013

Libido Babilônica

Feito olhos de jacaré no escuro
O verde cintilava quase nuclear
Seus dentes brancos mal apareciam
Guardando na calcinha intenção atômica...

O riso de síncronos desejos impuros
Deu conta dos espaços vazios do lugar
Sem formas, sem cores, às sombras gemiam
Engolindo crua...  a libido babilônica

Vez em quando um peixe no zoom
Deixava um som de pressa estranha
Sabe se lá de caça ou de caçador...

No escuro, a vontade se fez comum
E um gozo infindo fisgou as entranhas
Cerrando os dentes em prazer e dor...

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Diaba da Cruz

Miro 11.09.2013

Veio de barco
no segredo da corte
em vermelho capuz
cuspindo paixão…

Tomou-me de assalto
quebrando a sorte
e como facho de luz
cobriu-me no chão…

E perdendo a estribeira
no tenso dos arcos
gozei em teus nus…

Mas num único salto
Você fugiu sorrateira
como diaba da cruz…





sábado, 27 de julho de 2013

Victória

Miro 27 de julho de 2013

Qual o valor da vitória?
Qual o sabor do sucesso?
De um segundo de fama?
Em ser dono do holofote?

Qual o rigor da história?
Com que ouro eu me meço?
De que louros é a cama?
Qual o verdadeiro mote?

Quão tênue é a glória?
Como nela eu creço?
Porque ela me chama?

Será que ela é um trote?
Será que eu a mereço?
Não será ela irrisória?

domingo, 14 de julho de 2013

Senso de Liberdade


Miro 14.07.2013

Ah! Este senso de liberdade
que teve que se acostumar
com possessivos amores
beatas que me torturaram
com ciúmes ditadores!

Ah! Este crer na humanidade
que precisou se misturar
a desejos quase animais
esfregando pelos e peles
aos planos espirituais!

E esta alegria de lágrimas?
Esta ira santa e amorosa
este medo de ser medroso
frente as decisões do dia
quase feliz ante duvidoso?

E a saudade sem causa
de polaridades sem fim
por amores que nunca tive
olhares que não me perdi
e paixões que jamais vivi?

Por fim o falso julgamento
que criou pontes sem rios
porteiras para conter o certo
grades para afastar o amor
e o longe no que era perto...