quinta-feira, 28 de julho de 2016

Salto Alto

Miro 28.7.2016

Meus medos novos
como os valorizo
são preciosas pedras
onde macio piso
como quem pisa
em ovos
neles o tropeço acontece
e meu olhar
no chão
tece
curiosidade
ansiedade
por eu não saber
como com eles lidar... 

Formam novas fôrmas
deformadas formas
que voam pelo quarto
em quarto crescente
uma velha Lua nova
em nua confusão
que cria no ar
ruidos estranhos
que imantam os ouvidos
a passos indefinidos
de fantasmas fugidios
que no vazio do silêncio
prendem a atenção... 

Mesmo assim
eu os admiro
pois sei que são filhos
de gatilhos internos
ante o imprevisível
 que buscam criar um fim
algum fim possível
que ainda desconheço
pois sei também
que com estes medos
eu renasço e cresço
nos falsos passos
de salto alto
em um novo 
começo!

sábado, 16 de julho de 2016

Frágeis Escadas

Miro 27 de março de 2016


Por ingenuidade
conservei
meus olhos de criança
cheio de lágrimas
para enfrentar de frente
as tristezas da vida.

Com eles amadureci
sem deixar de ser verde
e mesmo assim
muitos me passaram a perna
me deixaram sem chão
e até sem estrelas.

E nestes buracos negros
que me colocaram para baixo
ousei reinventar os astros
e construi frágeis escadas
que só aguentavam o menino
capaz de fugir... sem sair do lugar!

Poeira Raquiana

Miro 27 de março de 2016

Nos paralelepípedos
desordenados
do Largo da Ordem
lentamente passa
uma grávida barriga...
nela se abriga
algum caos afetivo
por vaidade
ou medo da dor...
que será logo esquecido
depois de mais uma cesária
recomendada pelo doutor
e mesmo que sem marcas
o futuro do bebê
ficará anestesiado
pela poeira raquiana
do interesses imediatos
que colam na espinha
a insensibilidade fetal
dos planos de saúde
e quem se importa
com o futuro errante
de uma criatura
e sua mãe convencida
que hoje é errado
se ter um parto normal...

Gota de Cristal

Miro 27 de março de 2016

Meu amor é pequeno
uma gota de cristal
um sereno carinho
que se torna leite
para esquentar
o deleite
de tuas dobras e fibras
e Você
flor em botão
ao receber
meu quente
abre-se
e me prende
em líquida
comemoração.

INFINITO FIM

MIRO 16.07.2016

Faço um acordo com minhas velhas frustrações
Elas podem me deixar por algum canto sozinho
Permito que elas movimentem minhas inações
E que provem os taninos lágrimas dos vinhos... 

Assino a ruptura do pranto pronto dos contratos
Tanjo ao limite cordas finas que não se afinam
No violão invisível que viola os maus tratos
Que compõe infernos internos que não se calam...

Namoro a tristeza por mera correspondência
Mesmo estando ao lado dela constantemente
Não quero tocá-la em sua mórbida evidência... 

Assim sigo sendo perseguido por infinito fim
Que ao invés de jogar com o horizonte a frente
Desencontra-se preservado dentro de mim!!!

quinta-feira, 21 de maio de 2015

E agora meu Zé?


Miro 21.05.2015

E agora meu Zé?
Será que serás
só uma guitarra no caminho
deste pai pedra em desalinho
que não quer os segredos da paz?

E ontem meu Zé?
Se eras o nó das minhas esperas
que não me deixava crescer
pois projetava em tuas quimeras
o pai que não pude ser?

E adiante meu Zé?
Serei apenas o avô de teus filhos
um ancestral fora dos trilhos
um contador de histórias
de mil penas em meia dúzia de vitórias?

É que no sempre meu Zé!
Serei teu eterno companheiro
como pai, amigo, filho ou irmão
pois desde os tempos primeiros
do teu infinito sou o zero anfitrião!


Acomia

Miro 21.05.2015

Tateia em minha língua a tua teia
rala como Lua nova em acomia
e se me apertas em surda agonia
minhas orelhas queimam tuas veias...

É um laço de gravata que me arreia 
feito pelos nós de tuas coxas frias
em surtos tensos de dor e alegria
que em gozo múltiplo incendeia...

Um fio de querosene escapa da candeia
e deixa marcas em minha tez vadia
quando teu quadril em mim... chuleia!

Um fogo fátuo azula o Id em rebeldia
húmido pelos parcos pelos da sereia
que em metade peixe... nunca se sacia!