segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Posso?

Miro 19.09.2010

Posso te dominar
ou te estruturar!
Posso te sufocar
ou te nutrir!
Posso te desprezar
ou te considerar!
Posso contigo
resistir!
Posso discordar,
adaptar
ser imaturo,
ou te seduzir!
Posso te manipular,
ser teu maior engano,
forçar a barra
e simplesmente exigir!
Posso ser espontâneo,
cooperar,
íntimo te amar
e te fazer sorrir!
Posso tudo?
Quase nada,
na real eu só posso:
o que Você decidir!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lascas

acordo sem cores
fel de chocolate
palhaço da dor
musas ao vento
indecente viagem
ouro de manequim
nódoa de virgem
asfalto indolor
golpe de abate
sêmem de flores
vago sentimento
lascas de um fim

Miro 14.09.2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Espantalho

Miro 12.09.2010

tenho um amor que é tão terno
porto seguro onde eu encalho
naus, dragas, prontos amanhãs
nele me fixo sem mover a razão

tenho uma paixão quase inverno
mar aberto onde eu me atrapalho
náufrago Adão em gozo de maçãs
que me afoga frio nesta fixação

tenho um amor que tem tom eterno
relógio parado onde eu entalho
meu prontuário em contínuo divã
onde trato neuroses e depressão

tenho uma paixão onde externo
alegria, desejo, tesão em talho
aberto, hemofílica sangria sã
que consome qualquer compensação

tenho um amor onde ainda iberno
como carta de um velho baralho
esquecido entre cotocos de lãs
em uma quase constante sensação

tenho uma paixão que eu interno
em dores, dúvidas, tudo que valho
e que me entreva em febre tersã
morto vivo em ciente alienação

o amor, a paixão e a dor em terno
como trinca nas mãos de espantalho
torto em sua missão batizada vã
de afastar as asas de qualquer emoção

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Simetrias

Miro 9.9.2010

Procuro tuas íntimas simetrias
matemáticas fontes de prazer
onde o belo entra em sintonia
e me faz dentro de ti crescer...

Traço a bissetriz que angulo
no teu ventre em movimento
teus rítmicos gestos engulo
com a língua em passo lento!

Em teus triângulos e vértices
calculo a libido escondida
algo lúdico que pré atice
tua loucura além da medida!

Cartesiano em minha viagem
pelos teus pelos, pólos e zeros
risco o gozo desde tua origem
até o infinito que de ti libero!

Sem pontos, prazos e planos
meu compasso por ti circula
entre curvas sob teus panos
pecados de lascívia e gula!

Axioma de signos e beijos
Postulado de impura paixão
Teorema de amor e desejo
Corolário tratado em tesão.

E num paralelo sem retas
Tu côncava e eu convexo
desenho de forma indiscreta
a geometria do nosso sexo.

Incesto

Miro 09.09.2010

Desordenado ante teu incesto
onde cruzas com destino primo
destilo o tóxico de teus gestos
ante a lança que me fere e caça
crio rebeldias frágeis no teu cio
em cúpulas de solitário arrimo
um inseto preso entre vidraças
natimorto num sanitário estio
no caótico de teu País sem leis
apego-me ao gelo de teus ares
decanto na cadência dos metrôs
destituindo cargos, mulas e reis
entornado ao Sul de teus mares
chafurdado à lama dos instintos
bebo o sal de teu carteado retrô
em mananciais de nuances nuas
entre redemoinhos, putas e sacis
como mágoas de um Ego extinto
limpo-me nas gotas quase cruas
que brotam sãs de teu olhar feliz...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bolhas de Sabão

Miro 05.09.2010


As vezes sinto no ar
minha intensa paixão,
que como bolhas de sabão,
se tornam insustentáveis
dentro do coração,
e embora meus pensamentos
acabem em física fixação:
desejando,
sonhando,
escrevendo,
gritando-te em vão,
elas se movimentam
por onde respiro
e brincam com a imaginação,
que te faz:
sorrindo,
perto,
carinhosa,
amada,
úmida,
cheia de tesão,
fico nesta brincadeira por horas
em devaneios primitivos,
em fantasias de encontros,
desenhando roteiros
sem qualquer noção,
são breves imagens tuas
que duram o tempo inexato
de uma explosão:
e se reduzem a espuma
ao primeiro toque dos dedos
de minhas mãos,
criando uma camada branca,
uma gosma escorregadia
de lembranças tuas
espalhadas caóticas
no ladrilho do chão
e que me faz cair
na realidade crua
de minha emoção
e aí surdo,
calado,
paralisado
e cego,
fico quieto
e insensível
na mais nua
e gelada
solidão!

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Paixão & Fixação

Miro 31.08.2010

paixão é uma fixação
ausência de possibilidade
um impulso quase animal
do resto pura exclusão
uma fictícia unidade
ante o ser mágico e objetal

é um jogo de auto redução
que consome a mente em delírio
uma projetada fantasia
imersa na própria maldição
utópica fonte de martírio
que conserva a dor em manias

é um raio em constrição
no espaço quente da dor
uma energia não consumida
que é quase sem noção
desculpa insana do amor
que congela a alma em vida