quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sino

Miro 1.2.2012

Sem tesoura, faca ou navalha
arranco os fios de teias vadias
implantados em minha mente
com grampos de suave tirania!

Arranco minhas falsas unhas
e sem tuas armadilhas letais
bebo o veneno de novas luzes
com sede de invernos boreais!

Destruo a imponente sepultura
e faço do luto um único sinal
para afastar-te do meu destino!

Sem cruz, alhos e água do cura
sobrevivo ao teu estar ausente
no que antes parecia um sino!

Aorta Sagrada

Miro 1.2.2012

Um Acre cresce na garganta
como dissonância de vida
e com esta bola de impulsos
faço embaixadas principiantes...

No chão, algum destino escrevo
com o leite materno vomitado
que me alimenta e me afoga
em ciclos de amor e ódio...

Perco nos dedos a sensibilidade
e o pesado vira leve martelo
contra as paredes quebra-ossos...

A poeira incomoda meus olhos
que sem caminho para chorar
desertifica a sagrada Aorta...

Curto Circuito

Miro 1.2.2012


A cerca elétrica dos teus apreços
ligada em duzentos e vinte volts
foi cuidadosamente instalada
ao redor de minhas vontades...

Com meu consentimento ou não
concertinas, muros altos e grades
criaram uma prisão de opções
abençoadas pela mãe dos santos...

Os laços de fita foram se apertando
e o que era elétrico virou um curto
nos poemas da parede underground...

Onde só o vazio do teu entre trens
é um silêncio capaz de conviver
com o justo destes trilhos aterrados...

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Lágrimas Distraídas

Miro 25.01.2012

Com lágrimas distraídas
guardo no brilho do olhar
a fumaça cinza-azulada
dos teus convites sensuais...

Sei que fojes com medos
através de vãos motivos
ao mesmo tempo me cercas
feito algum território inimigo...

Não sei ler mais teus sinais
preso ao teu livro aberto
de um começo sem fim...

Nele derramo poemas
para que alguma fantasia 
cesse este teu vai  nem vem!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Todo teu talvez

Miro 17.12.2011

Talvez minha raiva cresça
e o final da dor aconteça
em ritmo desacorrentado
deslizando em lago gelado

Talvez tua fome se mova
e cave em mim tua cova
um buraco entre os dentes
em tempero de penitente

Talvez teu olhar me colha
nas dobras de tuas folhas
como fogos sem artifícios

Todo teu talvez me visita
em cruz de cicatriz infinita
num círculo que vira vício...

Punhos nos bolsos...

Miro 17.12.2011

Tenho um porco espinho dentro de mim
um pedaço de veneno que se espalha
e feito um câncer de mortal velocidade
arrebenta minhas últimas vontades vivas...

É minha raiva que se movimenta em dor
toma conta e me dá toda impaciência
aperta o coração em farpado arame
onde a ferrugem garantirá todo azedo...

Não sei gritar o que está assim contido
não sei tratar do que é tão eruptivo
nem como purgar o acre desta emoção...

Só, contenho meus punhos nos bolsos
apertando os dedos contra as mãos
sem descarregar meu ódio em Você...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Juizo

Miro 14.12.2011

o sonho brigou
com o tempo
deixou espaço
para a tristeza
saiu feito louco
sem ter destino
e no primeiro cais
aportou sem medo
depois de fartar-se
ficou só a deriva
entre águas vivas
e lembranças mortas
a espera de sinais
que lhe dessem juizo
ou que atravessassem
em ferida de morte
sua paixão incontida...