domingo, 12 de janeiro de 2014

Bambolê

Miro 11.1.2014

Minha ira
se amplia
a medida que
meu espaço
é esmagado
por Você

Minha dor
se espalha
no sangue rose
que gruda
no corpo
feito laquê

Minha luz
se apaga
em teu buquê
de flores
falsas
demodês

Minha voz
emudece
sem um porquê
bebendo
teus silêncios
privês

Minha noz
paraliza
e recicla o clichê
liofilizado
por teu ágil
bambolê

Charolês

Miro 5.11.2013

O nariz em alerta
funga imitando o touro
que da campina
cheira no ar…
fogosidade!

O pulso acerta
o sinal de agouro
detona cercas
e arames…
impura vitalidade!

A picareta certa
quer o alvo tesouro
a fêmea ardente 
que atiça… 
dura ansiedade!

A pele aperta
quando sente o couro
da mina escura
em avalanche… 
da vontade!

Gozo na oferta
sem regateio mouro
fisgado no ventre
pelo anzol
novidade!

A porta aberta
para desaguar o ouro
que escorre liso
pelas brechas… 
da liberdade!

Sob a coberta… 
cena de matadouro
dois corpos
sangram…
uma só saciedade!

Mães & Filhos



Mães
Miro 12.01.2014

Perdão minhas amadas
por lhes dar filhos errantes
pelo DNA meigo e egoista
um pouco narcísico… hedônico…

pela genética agitada
de tantos amores distantes
pousando fora da pista
num tropeçar tísico… irônico…

pelas crises de autênticos tratos
pela falta de escuta e tato
por não lavar o sujo… de teus pratos…

por ser ateu em excêntrico ciso
criando liberdades sem crivo
impondo limites…  imprecisos…


Filhos
Miro 11.01.2014
Perdão meus amados filhos!
Escolhi mulheres erradas
para serem suas mães
envolvido num sonho ímpar…

fiz e refiz os mesmos trilhos
com a consciência alugada
alimentei alguns banidos cães
com ossos e pérolas do amor…

só não fui mais impiedoso
de quem me escolheu querendo
transformar-me em um santo par…

hoje sou anjo caído e sem gozo
num vazio de infernos vivendo
o ombro marcado por alheio andor…


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Blefe Esquisito

Miro 5.11.2013

Faço do teus lábios
meu champanhe
jogando fora
qualquer dado
de lucidez!

No pano verde
dos teus desatinos
pago o alto cacife
que me faz
jogar Você!

Rolo em tua roleta
pulando vermelhos
bebendo com gosto
o que entornas
nas coxas!

Aposto sem fichas
num baralho riscado
um all in de doido
num blefe esquisito
que não esconde
o tesão!



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Raias da dor

Miro 5.11.2013

Faço-me dono
da tristeza
e ela me seduz
alazão sem doma
rumo só
ao morro da cruz…
                    Engulo o galope
                    da angústia
                    um tanto indigesto
                    pois não há perdão
                    que tire
                    o teu cabresto…
                                        Não há arreio
                                        que freie
                                        na trilha da solidão
                                        até o couro
                                        do teu chicote
                                        corta meu chão…
                                                            Corro sem cela
                                                            sem couro
                                                            no teu ácido suor
                                                            e sem ferraduras
                                                            nas patas
                                                            sinto as raias da dor…


Cor Ambivalente

Miro 5.11.2013

Passo… 
com o peso
do inconsciente
destinado ao pó… 

Ao redor…
só vaidades
algumas coerentes
outras… um nó…

E o pior…
só conversas
umas indescentes
outras… tem dó…

Cevo…
o rio do tempo
quase indiferente
incurso na história…

Levo…
na mochila
cor ambivalente
as lonas da glória…

Caço…
um gosto de rua
no aval indulgente
uma falsa vitória…


Passo… 
destinado ao pó… 
Ao redor…
um nó… 
E o pior…
tem dó…
Cevo… 
incurso na história…  
Levo… 
as lonas da glória… 
Caço… 
 uma falsa vitória… 


com o peso 
do inconsciente
só vaidades
algumas coerentes
só conversas
umas indescentes
o rio do tempo
quase indiferente
na mochila
cor ambivalente
um gosto de rua
no aval indulgente





Rimas Virtuais

Miro 8.11.2013

Sou de um tempo muito antigo
onde a poesia vinha para aula
despia-se na carteira ao lado
brincando em ser prima paixão…

As vezes sem elásticos ou fitas
nos cabelos soltos e molhados
deixava no ar um rastro vivo
que atiçava os faros hormonais…

Outras era um par de cinta-liga
vitrine da maior graça feminina
precificando a rima em algodão!

Hoje dos cadernos esondida
com cores de pixels perecíveis
só se expressa em rimas virtuais.