segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ensina-me...


Miro 20 de novembro de 2008
Vinte vezes, ensina-me...

01 Como falar da perda de algo que não tive?
02 Como entender a dor real de se desfazer algo que é só fantasia?
03 Como aplacar a fome concreta oriunda de uma subjetiva vontade?
04 Como aceitar a partida de algo que nem sequer foi?
05 Como manter a dignidade ante o desrespeito à autenticidade do que sinto?
06 Como não achar um pecado o doce pecado não cometido?
07 Como sorrir insensível à paixão se dentro ela chora doendo?
08 Como lidar com um futuro que não tem passado e nem sequer é um presente?
09 Como engolir em seco a úmida vontade?
10 Como querer respirar fundo o teu cheiro que me sufoca?
11 Como querer o infinito ao teu lado se o paralelo entre nós também é infinito?
12 Como aplacar a saudade de uma relação que nem começou?
13 Pra que rimar paixão e desilusão, se o verso está quebrado antes mesmo de ser completado?
14 Como destilar o fel de um mel que qual veneno homeopático adoça a insônia amargurada?
15 Como cavalgar a égua de uma paixão indomada enquanto o garanhão do silêncio relincha ao lado?
16 Como atravessar tranqüilo o tempo se o desejo está atravessado?
17 Como me manter ereto se o peito comprime a coluna, que se dobra diante da força de tua imagem interna?
18 Como ser sincero se o jogo pra ser ganho exige perder a explícita autenticidade?
19 Pra que o cuidadoso recato se a paixão incontida extravasa pelos poros descuidada?
20 Como Você me ensinará tudo isto, se os teus olhos são analfabetos e complicam os significados simples de minhas palavras?

2 comentários:

Ava disse...

Meu Deus!

Moço, voce me deixa tonta com esses questionamento..

Eu também preciso aprender tantas coisas!

Bjs

Alba Regina disse...

Parabéns Miro , eis que nesta “ hawe” dialógica, executas com maestria um giro de 360 graus sobre as divisões e contradições da alma, e aqui concluo “forças antagônicas que nos mantém no eixo”. Bravo!!